Opinião

Mascate na China. FT critica privatização no Brasil

<b>Reprodução</b> Ilustração no FT
Reprodução Ilustração no FT
Por Nelson de Sá - Folha de S. Paulo
Publicado em 30/08/2017

Temer viaja para vendas na China; em editorial, 'FT' questiona privatização

Michel Temer, ao embarcar para a cúpula dos Brics na China, deixou aqui o pior rombo da história, que a Reuters despachou como "inesperado".
Antes, ele falou à CCTV, a maior rede chinesa, ecoando mundo afora : "Quero levar [ao presidente Xi Jinping] a notícia dos 57 setores que vamos conceder à iniciativa privada. E esperamos que a China possa se interessar, possa trazer capital para o Brasil. Para nós seria muito útil".
Por outro lado, o "Financial Times" publicou editorial contra o "otimismo" dos investidores com o esforço privatista do Brasil. Primeiro, porque é "pouco tempo", com a eleição em outubro de 2018, para uma venda "complexa" de ativos como a Eletrobras e outros.
Segundo, o jornal inglês critica os "motivos fiscais urgentes" para as privatizações, ou seja, o rombo: "É economia pobre usar vendas de ativos únicos para cobrir despesas recorrentes".
O terceiro problema "é a falta de apoio popular", alerta: "O ceticismo público com o esforço privatista, já explorado pela oposição e por sindicatos, poderia empurrar ainda mais o Brasil numa direção populista nas eleições."

FHC LÁ
O editorial do "FT" coincidiu com uma coluna escrita por Gideon Rachman a partir de uma conversa com FHC.
Com a ilustração publicada aqui, o colunista afirma que "a situação do Brasil é sintoma da crise global na ordem liberal", com uma "polarização amarga" que fez ascender Jair Bolsonaro. Por outro lado, "na esquerda argumentam que tanto Lula como "Dilma* são vítimas de um golpe ilegítimo de um establishment de direita".
Já o ex-presidente, "agora 86 anos", representaria "uma era em que os tecnocratas e acadêmicos estavam no controle" e indica que "os liberais brasileiros não estão prontos para aceitar a derrota".
'CONSISTENTE'
A agência chinesa Xinhua, em análise, sublinha que, "de Lula a Rousseff e a Temer, as mudanças políticas" não afetaram "a consistente atitude brasileira em relação ao mecanismo de cooperação dos Brics".
E o "South China Morning Post", de Hong Kong, noticia que, com a retirada de soldados dos dois lados da fronteira sino-indiana, o primeiro-ministro da Índia confirmou presença na cúpula dos Brics. O jornal de Jack Ma, dono do Alibaba, ironiza a cobertura do fim do conflito na China continental e na Índia —com proclamações divergentes de vitória.
BRICS PLUS
O canal de notícias chinês CGTN afirma que um dos principais temas da cúpula é que "os Brics se tornam Brics Plus pela primeira vez". Aos cambaleantes Brasil, Rússia, Índia e África do Sul somam-se cinco novos países convidados pela China, inclusive o México.