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Risco para o Brasil: EUA acabam com neutralidade na internet

EUA põem fim à neutralidade da rede impulsionada por Obama. Gigantes das telecomunicações, como Comcast, AT&T e Verizon, se aliaram ao governo de Donald Trump para romper a barragem legal

<b>Reprodução</b> Rede mundial
Reprodução Rede mundial
Por El País - Brasil - O Estado de S. Paulo - O Globo
Publicado em 15/12/2017

A medida, impulsionada por grandes provedores, poderá impor um sistema de diferentes velocidades.
A era da neutralidade na rede chegou hoje ao seu fim nos Estados Unidos. A Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês), sob controle republicano, aprovou a revogação de medidas estabelecidas em 2015 para proteger a equidade na Internet. Revertendo o entendimento da rede como um “bem público”, no qual os provedores são obrigados a tratar todos os dados de maneira igual, sem importar sua origem, tipo e destino, será imposto um sistema que permite diferentes velocidades em função do pagamento e dos interesses dos operadores. Um triunfo do liberalismo, uma derrota das grandes empresas de tecnologia e, no mínimo, uma incógnita para o consumidor, escreve Jan Martínez Ahrens, em El País-Brasil.
A mudança, apresentada como "uma vitória da liberdade", foi impulsionada pelos grandes provedores. Gigantes das telecomunicações, como Comcast, AT&T e Verizon, se aliaram ao Governo de Donald Trump para romper a barragem legal que servia justamente para impedir que essas empresas acabassem impondo suas vontades ao tráfego e aos conteúdos da rede. Sob o sistema aprovado no mandato de Barack Obama, o provedor era obrigado a sempre oferecer o mesmo tratamento. Não poderia, por exemplo, bloquear o acesso a determinados sites, tornar a conexão mais lenta ou acelerá-la sob pagamento. O critério era a equidade. Evitar a discriminação. Proteger a neutralidade do sistema nervoso do conhecimento mundial. Tudo isso veio abaixo.

EUA põem fim à neutralidade da rede; Brasil pode ter reflexo

A agência que regula as telecomunicações nos EUA decidiu ontem acabar com a neutralidade da rede. Agora, provedores poderão escolher os conteúdos em suas conexões e discriminar a qualidade dos serviços de acordo com o preço. A mudança foi criticada por empresas de tecnologia e entidades de consumidores, que pretendem contestá-la na Justiça. A decisão pode ter reflexos no Brasil. (O Estado de S. Paulo)

EUA alteram regra da internet

Órgão regulador cita livre mercado e põe fim à neutralidade da rede, que impedia discriminar velocidade entre usuários. Especialistas esperam impacto da decisão até no Brasil. (O Globo)