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O fantasma das fronteiras

Os defensores do tratado de Schengen se entrincheiram na tese da inevitabilidade do terrorismo, a despeito da eficácia dos serviços de segurança.

<b>Reprodução</b> Limpeza de Cascais
Reprodução Limpeza de Cascais
<b>Reprodução</b> Mauro Lobo
Reprodução Mauro Lobo
Por Mauro Lobo - Correspondente em Portugal
Publicado em 22/08/2017

Ainda atordoada pelo atentado em Barcelona, a Europa volta a discutir se restabelece ou não o controle das fronteiras entre os paises-membros da União. A livre circulação de nacionais no assim chamado Espaço de Schengen, adotada nesta cidade do Luxemburgo em 1985, enfrenta novo desafio diante dos sucessivos golpes dos fundamentalistas islâmicos . Por ora, são vozes isoladas que argumentam contra a liberalização, apontando-a como incentivadora da fácil movimentação dos radicais. Mas não se duvide do seu potencial de chegar com força aos parlamentos por pressão das ruas.
Os defensores do tratado de Schengen se entrincheiram na tese da inevitabilidade do terrorismo, a despeito da eficácia dos serviços de segurança. Lembram que sequer na Rússia, com sua conhecida postura autocrática e de feroz repressão de dissidências, a fúria jihadista deixa de atuar, como no final de semana passado. De fato, emerge de todo o quadro do terror uma realidade paradoxal: a severidade dos controles funciona como combustível do terrorismo, por obrigar os radicais a buscar outros instrumentos para as carnificinas, como, por exemplo, os veículos automotores, ou as armas brancas, utilizadas também na Finlandia no último Sábado.
No caso específico de Portugal, capital ainda não atingida pelos gens da perversão e da atrocidade dos agentes do EI, o governo abriu os olhos e reforçou a segurança nos locais de aglomeração de turistas, como no bairro do Chiado e nas ruas do Rossio.

BANHO DE SAL
As boas notícias se têm embaralhado com fatos estranhos, por serem raros, e raros, porque remetem à fatalidade inimaginável. Na Ilha da Madeira, o despencar de uma árvore bicentenária resultou em 13 mortos - pessoas que participavam de uma procissão católica. E na Costa da Caparica (40 minutos de carro de Lisboa), um avião monomotor aterrissou na praia e matou dois banhistas, um homem de 56 e uma menina de 8 anos.
Sufocado emocionalmente pelos sucessivos incêndios (cerca de 1.430 casos de fogo variado ao longo de 2017), Portugal ainda teve de conviver com a queda de um helicóptero utilizado no combate às chamas, e com a morte de avó e neta na tragédia de Barcelona. Haviam chegado a cidade catalã 5 horas antes.
UM DITADOR A MENOS
O ditador de Angola, José Eduardo dos Santos, deixará o poder depois de 38 anos de mando feroz e incontestável. O correto talvez seja dizer que se afastará da cadeira presidencial, mas conservando forte influência ainda. Haverá eleições a 23 de abril próximo. O candidato oficial, João Lourenço, já antecipou a sabujice que exibirá ao longo do mandato (eleições em ditadura nos permite o exercício da futurologia). Disse ele, ao comentar a ausência do padrinho no comício de encerramento da campanha: -- ele é chefe permanente da equipe e não precisa estar presente para nos orientar e comandar.
Eduardo dos Santos chegou ao poder em 1979, depois da morte de Agostinho Neto, que comandou a revolução angolana como secretário-geral do Movimento Popular de Libertação de Angola, até então colônia de Portugal.
O país continua pobre, quase miserável em algumas regiões, apesar de recursos naturais como petróleo e diamantes. Como sempre acontece com essas insurreições ditas populares, a tomada do poder constitui a senha para o usufruto do poder pelos chefes e chefetes. A duradoura permanência do ditador se explica pelo rígido controle sobre as forças armadas, generosamente recompensadas por posições no aparelho estatal que lhe propiciaram ganho de fortunas. Paralelamente, José Eduardo cuidou de arrumar a vida da própria família: sua filha Isabel figura como a mulher mais rica de África, com patrimônio estimado em 3 bilhões de euros.
A pretexto de ajudar o povo angolano, no âmbito de uma política externa equivocada, os governos Lula e Dilma financiaram, via BNDES, obras bilionárias em Angola. Na verdade, o maciço investimento em infraestrutura foi uma forma de beneficiar empreiteiras brasileiras, com destaque para a Odebrecht. O governo de Luanda não permitiu a entrada de observadores estrangeiros das eleições de quarta-feira, alegando defesa da soberania nacional. Essa é uma velhaca desculpa para impedir que as tradicionais fraudes eleitorais do partido no poder tenham repercussão internacional.
A familia do ditador também tem extravagancias inimagináveis: o filho caçula arrematou um relógio por 500 mil euros em um leilão realizado durante o último festival de Cannes. Sim, eu confirmo: 500 mil euros... O que o trêfego herdeiro também dos maus costumes dos poderosos angolanos fazia em Cannes? Ninguém tem a mínima idéia...
SIMPLES E EFICAZ
A coleta de lixo urbano na cidade de Cascais é feita mediante recolha quase imperceptível dos sacos e outros objetos. Nesses quatro cilindros da foto se depositam os entulhos de acordo com sua espécie: papeis, plásticos, lixo doméstico propriamente dito, garrafas. O cilindro cor de rosa está reservado para óleos em geral, devidamente acondicionados em garrafas bem fechadas.
O sistema evita o mau odor, afora impedir a negativa impressão aos milhares de turistas que circulam na região com o lixo espalhado pelas calçadas.
UTILIDADE PÚBLICA
Aos brasileiros que para aqui vem e desejam permanecer mais tempo que os 3 meses assegurados por lei: vá ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e peça a prorrogação do prazo, estendível por mais um trimestre. Leve passaporte e comprovante de meios de subsistência durante o periodo solicitado. Se tiver passagem de saída marcada, ajuda na tramitação mais rápida da papelada. Atenção: a autorização costuma demorar, podendo alcançar até 6 meses. Não se preocupe: de posse do comprovante do pedido, você está dentro da lei.
CERVEJA & MAR
Começou a tradicional Festa do Mar, que se realiza anualmente na praceta em frente à baía de Cascais. Comes e bebes diversos, afora conjuntos musicais portugueses e estrangeiros, se exibirão até dia 27. Também em Cascais, de 24 a 27, se realiza o Festival da Cerveja Artesanal, com venda da loira produzida no país inteiro. O Mercado Municipal de Cascais acolhe a produção cervejeira.