Região

Febre amarela, um perigo que ronda a região

Amparo ocupa o terceiro lugar em número de casos de febre amarela no Estado. Outras cidades da região, com a Estância de Morungaba, também são área de risco. ‘Vacinar é muito seguro. Evento adverso é raro’

<b>Reprodução</b> Vacinação é segura
Reprodução Vacinação é segura
Por O Estado de S. Paulo - O Morungaba
Publicado em 20/01/2018

A Estância Hidromineral de Amparo, vizinha à Estância de Morungaba, é uma das cidades que lideram o número de casos de febre amarela no Estado de S. Paulo. Fica atrás apenas de Mairiporã e Atibaia. Na mesma região de Amparo, ocorreram casos em Itatiba, Bragança Paulista, Morungaba - que não é citada na reportagem, mas é considerada área de risco da doença - e Campinas, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

Três pessoas morreram no Estado de São Paulo por reação à vacina contra a febre amarela desde o início do ano passado, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. Outros seis casos estão em investigação. A reação é considerada rara, com incidência de 1 a cada 500 mil pessoas imunizadas, mas pode acontecer porque a vacina é feita com o vírus vivo atenuado. A febre amarela já deixou 36 mortos, e o número de casos da doença chegou a 81. Mairiporã, Atibaia e Amparo concentram dois terços dos registros.
SP registra 36 mortes e 81 casos de febre amarela; reação à vacina mata 3.
O município de Mairiporã registrou mais da metade de todos os relatos da doença no Estado - 41, dos quais 14 evoluíram para óbito.

O número de mortes confirmadas por febre amarela no Estado de São Paulo subiu para 36, conforme boletim divulgado na noite desta sexta-feira, 19, pela Secretaria Estadual da Saúde. O número é 71% maior do que o registrado no balanço da semana passada, quando a pasta relatou 21 óbitos. Os levantamentos se referem aos registros de janeiro de 2017 até agora. Enquanto isso, outras três pessoas morreram por reação à vacina.


O número de casos da doença também aumentou, passando de 40 para 81 entre o boletim da semana passada e o atual. O município de Mairiporã, na região metropolitana de São Paulo, registrou mais da metade de todos os relatos de febre amarela no Estado - 41, dos quais 14 evoluíram para óbito. Cidade vizinha, Atibaia é a segunda com o maior número de registros da doença (9), seguida por Amparo (5), na região de Campinas, interior do Estado.

Juntos, os três municípios concentram dois terços de todos os casos e óbitos registrados no Estado desde o ano passado. Outros 17 municípios também confirmaram infecções de pacientes: Águas da Prata, Américo Brasiliense, Batatais, Bragança Paulista, Caieiras, Campinas, Itatiba, Itapecerica da Serra, Jarinu, Jundiaí, Mococa, Monte Alegre do Sul, Nazaré Paulista, Santa Cruz do Rio Pardo, Santa Lúcia, São João da Boa Vista e Tuiuti. A capital paulista não tem casos autóctones (de transmissão interna) confirmados até agora.

Reação
Além das três mortes confirmadas nesta sexta por reação à vacina, outras seis estão em investigação pelo mesmo motivo, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. Dos três casos confirmados, dois ocorreram na capital e um em Matão, na região de São José do Rio Preto, interior paulista.

Embora rara, a reação à vacina da febre amarela pode ocorrer porque o imunizante é feito com o vírus vivo atenuado. Nas reações graves, que tem incidência de 1 caso a cada 500 mil pessoas vacinadas, o paciente pode desenvolver a doença viscerotrópica aguda, quadro similar à febre amarela clássica, que leva a uma disfunção aguda de múltiplos órgãos.

Considerando o volume de pessoas vacinadas na capital paulista desde outubro, por exemplo (1,8 milhão), o índice de óbitos por reação vacinal registrado na cidade - 1 para cada 900 mil vacinados - está inferior ao descrito na literatura médica.

Tem maior risco de desenvolver a reação idosos, gestantes e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, como pacientes transplantados ou que passaram por quimioterapia. “Por isso, precisa ter uma entrevista, uma triagem, para não vacinar quem não pode ser vacinado. É uma vacina que tem de ter precauções, não é isenta de riscos. Essa é a única razão pela qual a gente não aplica a vacina no País todo”, destaca Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

A reação, no entanto, pode acometer também pessoas de fora desses grupos, caso das três mortes relatadas no Estado de São Paulo, nas quais as vítimas eram pessoas com menos de 60 anos, sem registro de doenças prévias, de acordo com a secretaria.

“Justamente pelo perfil da vacina, a imunização é indicada apenas para quem precisa, considerando-se o risco de exposição à febre amarela. Portanto, em locais urbanos, onde não há transmissão, não há motivo para expor a população a um risco desnecessário”, destacou o órgão, em nota divulgada nesta sexta.

Rio de Janeiro
Mais um caso da doença foi confirmado em Valença, no sul do Rio, segundo a Secretaria de Saúde. Agora chegam a 14 os casos registrados no Estado em 2018, com cinco mortes, escreve Fabiana Cambricoli, de O Estado de S.Paulo, com colaboração de Paula Felix.

‘Vacinar é muito seguro. Evento adverso é raro’

Mas especialista alerta que há restrições para alguns públicos; idosos e gestantes precisam de avaliação
Entrevista de Paula Felix com Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
A eficácia da vacina contra a febre amarela é de 98%, mas é preciso sempre conversar com o médico sobre contraindicações, como alerta Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Ela ressalta também que a vacina fracionada, que será amplamente usada agora, não vale para menores de 2 anos.

Para quem a vacina da febre amarela é recomendada?

Ela é indicada para todas as pessoas com mais de 9 meses de idade que vão ou moram nas regiões de risco.

Quem não pode tomar?

Crianças com menos de 6 meses e mulheres que estejam amamentando bebês com menos de 6 meses, pois transferem o vírus da vacina para o bebê pelo aleitamento. No caso dos imunodeprimidos, é importante conversar com o médico, porque há uma lista grande. Uma pessoa com o vírus HIV não obrigatoriamente é imunodeprimida - pode ter o vírus e não ser. Também não pode ser vacinado quem teve choque anafilático por causa de ovo de galinha. (...)