Economia

Indecência - 5 brasileiros tem mais dinheiro que 100 milhões

Brasil ganhou 12 novos bilionários em 2017. Já no Brasil, cinco indivíduos possuiriam o mesmo patrimônio que os 50% mais pobres da população (cerca de 100 milhões de brasileiros). 1% da população global detém mesma riqueza dos 99% restantes

<b>Reprodução</b> Desigualdade aumenta no Brasil e no mundo
Reprodução Desigualdade aumenta no Brasil e no mundo
Por Agência Brasil - Veja - BBC Brasil - BBC News - G1 - France Press
Publicado em 23/01/2018

 

Cinco brasileiros têm riqueza equivalente à de 50% da população

Levantamento da Oxfam indica que o país ganhou 12 novos bilionários em 2017, o segundo maior aumento do tipo na história. Cinco brasileiros concentravam em 2017 riquezas equivalente à da metade da população mais pobre do Brasil, segundo dados de levantamento da Oxfam divulgados nesta segunda-feira. O documento diz que que houve um aumento histórico no número de bilionários no mundo no ano passado: um a mais a cada dois dias.

No país, as cinco pessoas que mais têm patrimônio são, respectivamente: Jorge Paulo Lemman, 77, sócio da 3G Capital, Joseph Safra, 78, do Banco Safra, Marcel Herrmann Telles, 67, e Carlos Alberto Sicupira, 69 – ambos também da 3G Capital – e Eduardo Saverin, 35, ex-Facebook.

O Brasil ganhou 12 bilionários a mais no período, passando de 31 para 43. “Isso significa que há mais pessoas concentrando riqueza. A gente não encontrou ainda um caminho para enfrentar essa desigualdade”, disse Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

O patrimônio dos bilionários brasileiros alcançou 549 bilhões de reais no ano passado, um crescimento de 13% em relação a 2016. Por outro lado, os 50% mais pobres tiveram a sua fatia na renda nacional reduzida de 2,7% para 2%. Um brasileiro que ganha um salário mínimo precisaria trabalhar 19 anos para ganhar o mesmo que recebe em um mês uma pessoa enquadrada entre o 0,1% mais rico.

“O Brasil chegou a ter 75 bilionários, depois caiu, muito por causa da inflação, e depois, nos últimos três anos, a gente viu uma retomada no aumento do número de bilionários. Esse último aumento – de 12 bilionários – é o segundo maior que já houve na história. E o patrimônio geral também está aumentando”, afirmou Rafael Georges, coordenador de campanhas da entidade.

No mundo, o total de bilionários chegou a 2.043, segundo o levantamento da Oxfam. A instituição calcula que o 1% mais rico no planeta acumulou, pela primeira vez no ano passado, mais da metade de todo o patrimônio mundial.

Fortuna de bilionários brasileiros cresce 13% e chega a R$ 549 bilhões em 2017

Os ultrarricos do Brasil continuam aumentando sua distância em relação aos mais pobres, segundo relatório da ONG britânica Oxfam divulgado nesta segunda-feira, 22, segundo André Shalders, da  BBC Brasil.

O relatório será apresentado durante o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), que se reúne em Davos, na Suíça, a partir desta terça-feira. Segundo a Oxfam, o país ganhou 12 novos bilionários (considerando o patrimônio em R$) no ano passado, e conta agora com 43 desses ultrarricos.

Em 2017, o patrimônio total dos bilionários brasileiros cresceu 13% e somou R$ 549 bilhões, aponta o levantamento.

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Já a economia brasileira como um todo (medida pelo PIB do país) avançou apenas 1,1% em 2017, segundo a última estimativa do projeto Monitor do PIB, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo a Oxfam, existem hoje no mundo todo 2.043 bilionários, e 90% deles são homens.

O ano passado registrou o maior aumento do número de bilionários da história, com quase um novo bilionário no mundo a cada dois dias. E, nos últimos 12 meses, o patrimônio dessas pessoas avançou em US$ 762 bilhões. Com menos de 1/7 dessa quantia, já daria para acabar com a pobreza extrema em todo o mundo, diz a organização.

De todo o valor produzido pelo mundo no ano passado, 82% ficaram com o 1% mais rico da população, enquanto a metade mais pobre da humanidade não teve qualquer aumento no seu patrimônio, segundo a Oxfam.

Na versão de 2018 de seu relatório, a ONG também revisou um cálculo do ano passado: segundo a entidade, 61 bilionários detêm a mesma riqueza que os 50% mais pobres, e não oito pessoas, como foi divulgado em 2017.

O relatório da Oxfam usa diversas fontes de informação, incluindo a lista de bilionários elaborada pela revista mericana Forbes. A principal, porém, é uma base de dados do banco Credit Suisse.

Segundo a organização, a atualização no número (de 8 para 61 bilionários com a mesma renda que os 50% mais pobres) se deve ao fato do Credit Suisse ter revisado, para cima, os cálculos sobre o patrimônio dos habitantes mais pobres de Rússia, Índia e China. Com isso, cresceu o número de bilionários cujo patrimônio somado é igual ao dos 50% mais pobres no mundo.

Já no Brasil, cinco indivíduos possuiriam o mesmo patrimônio que os 50% mais pobres da população (cerca de 100 milhões de brasileiros).

A organização reconhece que há limitações nos dados, mas diz que eles são suficientes para retratar a realidade. Mas a forma como faz os cálculos também não é unânime entre os economistas.

Medir desigualdade: tarefa complexa

Mas afinal, como é possível contabilizar a renda e o patrimônio de mais de 7 bilhões de pessoas como propõe a Oxfam?

Essa é uma das principais críticas feitas por economistas ao relatório da entidade: para muitos países, simplesmente não existem dados suficientemente precisos, de modo que o estudo precisa se basear em aproximações.

"Uma das coisas que o Credit Suisse (fonte de dados usada pela Oxfam) diz é que é preciso cautela, pois a maioria dos países não têm dados completos sobre o patrimônio das pessoas. Só alguns países ricos fazem estimativas completas sobre o patrimônio", diz o economista Carlos Góes, do Instituto Mercado Popular.

"E isso acontece porque os governos geralmente tributam renda (como no IR brasileiro), e não patrimônio. Então, o incentivo que eles têm é para saber a renda das pessoas, não o patrimônio", acrescenta. É por isto, diz Góes, que os dados mais completos disponíveis na maioria dos países são sobre a renda.

Segundo Carlos Góes, os estudos sobre desigualdade disponíveis hoje mostram que o fosso entre ricos e pobres está diminuindo, quando se considera o mundo como um todo.

"Isso ocorre porque a renda têm crescido mais rapidamente em países pobres do que nos ricos", afirma ele, mencionando lugares como Índia e China. Na sua avaliação, essa diminuição global acontece mesmo com a desigualdade aumentando dentro das nações mais ricas.

Em resposta, a Oxfam reconhece que existem limitações nos dados, mas diz que as informações disponíveis já são suficientes para traçar um retrato consistente da realidade.

"Não existe nenhum dado perfeito. Sempre há limitação. Mas com a quantidade de dados que a gente tem hoje sobre patrimônio, como agregado pelo Credit Suisse, a gente consegue ter uma fotografia da situação", afirma Rafael Georges, coordenador de campanhas da Oxfam Brasil. "Se o banco (Credit) não visse qualquer valor nos dados, não os publicaria", diz.

"Além disso, a história que os dados contam bate com a realidade. Nos países ricos a desigualdade aumenta a olhos vistos, e nos países pobres a gente vê a realidade da massa de pessoas que não têm qualquer patrimônio", completa Georges.

O representante da ONG explica que o relatório da Credit Suisse classifica a qualidade dos dados de 1 (pior) a 5 (melhor). O Brasil têm nota 3 (razoável) nessa escala.

Incluir ou não dívidas?
Há ainda outra controvérsia sobre os relatórios da Oxfam: o critério utilizado pelo Credit Suisse é o de "patrimônio líquido", isto é, descontando as dívidas.

Carlos Góes usa um exemplo para explicar o tipo de distorção que isso pode criar.

"Um estudante que acabou de se formar em Harvard (universidade de elite dos EUA), ganha 200 mil dólares por ano e toma uísque 18 anos todo fim de semana, mas tem uma dívida estudantil, seria considerado mais pobre que um camponês da índia que só tem uma bicicleta, mas não tem dívidas", diz ele.

Para Góes, isso mostra que são os dados sobre renda (e não sobre patrimônio) o melhor indicativo para tratar de pobreza e riqueza.

"A Oxfam recebe recomendações de especialistas desde o primeiro levantamento. E a recomendação que temos é para manter as dívidas", defende Rafael Georges.

"Se as dívidas fossem excluídas, a distorção seria maior ainda. A parte mais pobre das pessoas aparentaria ter mais do que tem. Esse efeito seria maior do que o de eventuais estudantes americanos endividados, embora isso exista de fato", completa o representante da Oxfam.

1% da população global detém mesma riqueza dos 99% restantes, diz estudo

Oxfam fez apelo a líderes reunidos em Fórum Econômico Mundial de Davos para que discutam e adotem medidas contra desigualdade
A riqueza acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial agora equivale, pela primeira vez, à riqueza dos 99% restantes, escreve Anthony Reuben, da BBC News (18/1/2018).

Essa é a conclusão de um estudo da organização não-governamental britânica Oxfam, baseado em dados do banco Credit Suisse relativos a outubro de 2015.

O relatório também diz que as 62 pessoas mais ricas do mundo têm o mesmo – em riqueza v que toda a metade mais pobre da população global.

O documento pede que líderes do mundo dos negócios e da política reunidos no Fórum Econômico Mundial de Davos, que começa nesta semana, na Suíça, tomem medidas para enfrentar a desigualdade no mundo.

A Oxfam critica a ação de lobistas – que influenciam decisões políticas que interessam empresas – e a quantidade de dinheiro acumulada em paraísos fiscais.

Ressalvas

Segundo o estudo da Oxfam, quem acumula bens e dinheiro no valor de US$ 68 mil (cerca de R$ 275 mil) está entre os 10% mais ricos da população. Para estar entre o 1% mais rico, é preciso ter US$ 760 mil (R$ 3 milhões).

Isto significa que uma pessoa que possui um imóvel médio em Londres, já quitado, provavelmente está na faixa do 1% mais rico da população global.

No entanto, há várias ressalvas a estes números. O próprio Credit Suisse reconhece que é muito difícil conseguir informações precisas sobre os bens e dinheiro acumulados pelos super-ricos.

O banco diz que suas estimativas sobre a proporção de riqueza dos 10% e do 1% mais ricos "podem estar subestimadas".

Além disso, os números incluem estimativas colhidas em países nos quais não há estatísticas precisas.

A Oxfam afirmou que o fato de as 62 pessoas mais ricas do mundo acumularem o equivalente à riqueza dos 50% mais pobres da população mundial revela uma concentração de riqueza "impressionante", ainda mais levando em conta que, em 2010, o equivalente à riqueza da metade mais pobre da população global estava na mão de 388 indivíduos.

"Ao invés de uma economia que trabalha para a prosperidade de todos, para as geração futuras e pelo planeta, o que temos é uma economia (que trabalha) para o 1% (dos mais ricos)", afirmou o relatório da Oxfam.

Tendência

A Oxfam verificou que a proporção de riqueza do 1% dos mais ricos vem aumentando a cada ano desde 2009 – depois de cair de forma gradual entre 2000 e 2009.

A ONG britânica pede que os governos tomem providências para reverter esta tendência. A Oxfam sugerem a meta, por exemplo, de reduzir a diferença entre o que é pago a trabalhadores que recebem salário mínimo e o que é pago a executivos.

A organização também quer o fim da diferença de salários pagos a homens e mulheres, compensação pela prestação não remunerada de cuidados a dependentes e a promoção de direitos iguais a heranças e posse de terra para as mulheres.

A ONG britânica quer também que os governos imponham restrições ao lobby, reduzam o preço de medicamentos e cobrem impostos pela riqueza em vez de impostos pelo consumo.

 

Oito pessoas concentram mesma riqueza que a metade mais pobre da população mundial, diz ONG britânica

Para Oxfam, concentração é 'indecente' e 'exacerba as dificuldades'.

Oito pessoas no planeta possuem tanta riqueza quanto a metade mais pobre da população mundial, situação "indecente" que "exacerba as desigualdades", denuncia a ONG britânica Oxfam em um relatório publicado antes do Fórum Econômico Mundial, que começa na terça-feira (17) em Davos, escreve o G1, com a France Presse (16/1/2018).

"É indecente que tanta riqueza esteja concentrada nas mãos de uma minoria tão pequena, quando se sabe que uma em cada dez pessoas no mundo vive com menos de US$ 2", afirmou uma porta-voz da Oxfam, Manon Aubry.

O relatório, intitulado "Uma economia a serviço dos 99%", revela "como as grandes empresas e os indivíduos mais ricos exacerbam as desigualdades, ao explorar um sistema econômico desfalecente, sonegando impostos, reduzindo salários e aumentando os rendimentos para os acionistas".

A Oxfam, que tradicionalmente denuncia as crescentes desigualdades por ocasião do Fórum de Davos, adverte neste ano sobre "a pressão exercida sobre os salários em todo o mundo", assim como os benefícios fiscais das empresas ou o recurso a paraísos fiscais.

"As empresas otimizam seus lucros, especialmente aliviando o máximo possível sua carga fiscal, privando os Estados de recursos essenciais para financiar as políticas e os serviços necessários para diminuir as desigualdades", destaca o documento.

A ONG, que se baseia em "novas informações mais precisas sobre a divisão da riqueza no mundo", convoca os governos a reagir promovendo uma economia mais humana.

"Quando as autoridades políticas deixarem de estar obcecadas pelo PIB, se concentrarem no interesse de todos os cidadãos e não apenas de uma elite, será possível um futuro melhor para todas e todos", afirma Aubry.

No ano passado, a Oxfam havia denunciado que o patrimônio acumulado do 1% mais rico do mundo havia superado em 2015 os 99% restantes com um ano de antecedência em relação ao previsto.

Quem são os oito mais ricos

Bill Gates, americano, fundador da Microsoft: US$ 75 bilhões

Amancio Ortega, espanhol, fundador da Zara: US$ 67 bilhões

Warren Buffett, americano, CEO e e sócio da Berkshire Hathaway: US$ 60,8 billhões

Carlos Slim Helu, mexicano, dono do Grupo Carso: US$ 50 bilhões

Jeff Bezos, americano, presidente da Amazon: US$ 45,2 bilhões

Mark Zuckerberg, americano, fundador do Facebook: US$ 44,6 bilhões

Larry Ellison, americano, cofundador e CEO da Oracle: US$43,6 bilhões