Economia

No Brasil de miseráveis, pagamentos de R$ 42,5 mil por mês

Reforma branda beneficiará 52% dos servidores federais. Remuneração média de magistrados nos estados é de R$ 42,5 mil. Racismo faz do negro o suspeito. ‘Investimento depende da eleição’. Brasil herda calote em obra da Odebrecht. Chile etc

<b>Reprodução</b> Desigualdade
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Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo
Publicado em 17/12/2017

Governo estuda alternativa para manter aposentadoria integral dos que ingressaram no serviço público até 2003. Pouco mais da metade dos servidores federais será beneficiada se o governo decidir abrandar a reforma da Previdênci manter a aposentadoria integral - com o último salário da carreira - e os reajustes iguais aos dos funcionários da ativa para quem ingressou no serviço público até 2003. São 380 mil pessoas, ou 52% do contingente total, nessa situação. 

O texto em tramitação na Câmara quer cobrar dos servidores as idades mínimas de 65 anos para homens e 62 para mulheres para manter a integralidade e paridade. As categorias, no entanto, pressionam os deputados para derrubar a proposta, e uma alternativa “mais leve” está em estudo pela equipe econômica. 

Se pagos hoje, todos os benefícios futuros custariam R$ 507,6 bilhões à União, de acordo com cálculos da Secretaria da Previdência - algumas áreas têm remuneração no fim da carreira acima de R$ 20 mil mensais. (O Estado de S. Paulo)

Com extras, 71% dos juízes recebem acima do teto

Remuneração média de magistrados nos estados é de R$ 42,5 mil. Levantamento inédito com números do Conselho Nacional de Justiça revela que benefícios como auxílio-moradia e gratificações representam um terço dos contracheques.

Dois em cada três juízes dos tribunais de Justiça dos estados e do Distrito Federal recebem acima do teto constitucional, de R$ 33.763. A disparidade entre o limite e o que efetivamente aparece no contracheque de 11,6 mil magistrados (71,4% do total) se deve a uma brecha legal que retira do cálculo as verbas indenizatórias, como dinheiro extra para moradia, alimentação e gratificações, revela Marlen Couto (O Globo).

Os dados foram comparados com base nas folhas de pagamento enviadas, pela primeira vez e em um mesmo padrão, pelos tribunais ao Conselho Nacional de Justiça. Assim, é possível verificar o peso dos benefícios nos salários, que chega a 33%, em média. Em um único mês, 52 juízes e desembargadores tiveram remuneração superior a R$ 100 mil.

PJ de salário alto agrava déficit da Previdência

Fim de vagas formais derruba arrecadação. Mudanças no mercado de trabalho têm contribuído para o rombo na Previdência, como o aumento do número dos que deixam de ser contratados como pessoas físicas e passam a prestar seiyiço como empresas.

É a chamada “pejotização”, na qual o trabalhador vira uma PJ (pessoa jurídica). O movimento ê apontado como um dos principais motivos para a redução de 14%, de 1996 a 2015, no número de pessoas que ganham acima de sete salários mínimos (R$ 6.559 em 2017).

Isso significa menos gente pagando contribuições mais altas dentro de um sistema em que as despesas crescem mais rapidamente que as receitas. (Folha de S. Paulo)

Pinguço

Reforma em fevereiro parece conversa de pinguço: no mês que vem, largará a bebida, escreve Celso Ming. (O Estado de S. Paulo)

Redes sociais x economistas

Discussões contra e a favor da reforma da Previdência ganharam as redes sociais - mas as informações, como a de que a cobrança de dívidas de empresas acabaria com o déficit, são questionadas por economistas. (O Estado de S. Paulo)

“Fake news”

Luiz Fux montará força-tarefa no TSE contra “fake news” na eleição, escreve Lauro Jardim. (O Globo)

Cyberbullying cresce e vira desafio ao País

Pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil sobre o comportamento online de jovens mostra que, de cada quatro crianças e adolescentes de 9 a 17 anos, um foi tratado de forma ofensiva na internet. Número cresce ano a ano. (O Estado de S. Paulo)

Desemprego

Fim do desemprego faria PIB do país crescer 9,8%, reporta Ancelmo Gois. (O Globo)

Uso de celular cresce, mas investimento na rede cai

Os investimentos em telefonia móvel cairão pelo terceiro ano seguido em 2017, apesar da crescente demanda. Hoje, 63% dos lares têm somente celular, e apenas 2% têm só telefone fixo, que, segundo especialistas, terá praticamente desaparecido em 2021. (O Globo)

A força da solidariedade

Poeta e montadora de cinema, Maria Rezende conta experiência transformadora ao ajudar moradora de rua a ter casa própria. (O Globo)

Racismo faz do negro o suspeito

A filtragem racial, que acontece quando uma pessoa é discriminada ou vista como suspeita apenas por causa da cor da pele, provoca injustiças como prisões sem motivo e até mortes. (O Globo)

‘Investimento depende da eleição’

 O atual baixo nível de investimentos das empresas brasileiras está relacionado não só à atividade econômica ainda lenta, mas também ao receio com o resultado das eleições, disse Walter Schalka, presidente da Suzano. “Eu não tenho dúvida nenhuma de que grandes investimentos dependem do que vai acontecer no processo eleitoral.” (O Estado de S. Paulo)

Governista não tem que tatuar‘Temer’ em 2018, diz Maia
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), diz à Folha que o candidato governista na disputa pelo Planalto em 2018 não precisa ter “uma tatuagem ‘eu sou Michel Temer’ na testa”. Para ele, que descarta buscar a vice-presidência, o importante ê que o postulante tenha uma “agenda de reformas”. (Folha de S. Paulo)

‘Houve ação planejada com a PGR’

O senador Aécio Neves (PSDB), em entrevista a Eduardo Kattah e Pedro Venceslau (O Estado de S. Paulo), a primeira depois de ser denunciado por corrupção e obstrução da Justiça, admite que cometeu um erro ao pedir R$ 2 milhões a Joesley Batista e afirma que foi “vítima de uma ação planejada com a PGR” ao ter a conversa com o empresário gravada. Ele ainda diz que será candidato em 2018, provavelmente ao Senado. Julgamento de Lula - “Eu não torço pela prisão do Lula", diz Aécio, sobre o julgamento no TRF-4. “Mas ele tem de responder para a Justiça". O julgamento de Lula no TRF-4 é hoje mais decisivo para a eleição do que o eleitor, na opinião de Eliane Cantanhêde.

Brasil herda calote em obra da Odebrecht
Construído com financiamento do BNDES, aeroporto em Moçambique opera com 4% de sua capacidade, e uma parcela de US$ 22,5 milhões da dívida não foi paga. A Odebrecht recebeu sua parte. O prejuízo ficou com o Tesouro brasileiro, que tenta renegociar o débito. (O Estado de
S. Paulo)

Irrealismo orçamentário

Orçamento aprovado retrata a maneira pouco responsável com que os parlamentares lidam com o dinheiro público. (O Estado de S. Paulo).

Futebol brasileiro virou referência em selvageria
O vandalismo visto no Maracanã escandalizou um dirigente da Conmebol. O histórico hábito brasileiro de atribuir a argentinos e uruguaios a selvageria nas competições de clubes da América do Sul transforma-se diante das evidências de que nós somos mais primitivos. (Folha de S. Paulo)

Sebastião Salgado na Amazônia 
Em novo projeto, Sebastião Salgado retrata índios relativamente isolados. A convite do fotógrafo e dos korubos, a Folha acompanhou a expedição no oeste do Amazonas. Conhecidos como “violentos índios caceteiros”, eles temem a exploração clandestina do seu território e ataques que ameacem a etnia. (Folha de S. Paulo)

Mais mobilizado, Chile escolhe hoje o novo presidente
Os chilenos decidem neste domingo o novo presidente do país: Sebastián Pinera (centro-direita) ou Alejandro Guillier (centro-esquerda), empatados em pesquisas que falharam no primeiro turno. O clima em Santiago é de mobilização, ao contrário do que ocorreu na primeira disputa, relata Sylvia Colombo. (Folha de S. Paulo)

CONCENTRAÇÃO DE RENDA 

Quase 30% da renda do Brasil está nas mãos de apenas 1% dos habitantes do país, a maior concentração do tipo no mundo. É o que indica a Pesquisa Desigualdade Mundial 2018, coordenada, entre outros, pelo economista francês Thomas Piketty. O grupo, composto por centenas de estudiosos, disponibiliza nesta quinta-feira um banco de dados que permite comparar a evolução da desigualdade de renda no mundo nos últimos anos, escreve Jan Martínez Ahrens, de El País-Brasil.
Segundo os dados coletados pelo grupo de Piketty, os milionários brasileiros ficaram à frente dos milionários do Oriente Médio, que aparecem com 26,3% da renda da região. Na comparação entre países, o segundo colocado em concentração de renda no 1% mais rico é a Turquia, com 21,5% em 2015 — no dado de 2016, que poucos países têm, a concentração turca subiu para 23,4%, de acordo com o levantamento.
O Brasil também se destaca no recorte dos 10% mais ricos, mas não de forma tão intensa quanto se observa na comparação do 1% mais rico. Os dados mostram o Oriente Médio com 61% da renda nas mãos de seus 10% mais ricos, seguido por Brasil e Índia, ambos com 55%, e a África Subsaariana, com 54%.