Economia

O histórico de Bolsonaro e o medo de FHC

‘Ele propôs me matar’. Dinheiro no closet da mãe na Geddel. Rio, o núcleo da desgraça. Delator: Paes não pediu propina. Caixa 2, sim. Deputados viajam mais. Inflação menor libera R$ 7,8 bilhões para consumo. Chile vai hoje às urnas etc.

<b>Reprodução</b> FHC
Reprodução FHC
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo - Veja
Publicado em 19/11/2017

FHC afirma que tem medo de Jair Bolsonaro: ‘Ele propôs me matar’
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse nessa noite desta quinta-feira, 16, que não pode descartar a possibilidade de o Brasil repetir a experiência italiana depois da Operação Mãos Limpas e eleger um presidente de direita similar a Silvio Berlusconi na esteira da Lava Jato. Embora não tenha citado nomes, ele deixou claro que considera o deputado e presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ) a principal ameaça nas eleições do próximo ano.
“Eu não quero entrar em detalhes, mas há pessoas da direita que são pessoas perigosas”, disse FHC em evento na Universidade Brown, nos EUA. “Um dos candidatos propôs me matar quando eu estava na Presidência. Na época, eu não prestei atenção. Mas hoje eu tenho medo, porque agora ele tem poder, ainda não, ele tem a possibilidade do poder.”
Em entrevista à TV Bandeirantes em 1999, Bolsonaro afirmou que seria impossível realizar mudanças no Brasil por meio do voto. “Você só vai mudar, infelizmente, quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez. Matando 30 mil, e começando por FHC”, declarou na ocasião, segundo a Veja. (...)
O histórico nada liberal de Bolsonaro

Pré-candidato à Presidência, Jair Bolsonaro se apresenta como liberal na economia. Mas seu histórico no Congresso revela oposição ao Plano Real, à quebra dos monopólios das telecomunicações e do petróleo e às reformas administrativa e da Previdência, relatam Catarina Alencastro e Paulo Celso Pereira (O Globo).

Dinheiro no closet da mãe

Um ex-assessor afirmou ter destruído provas contra os irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima, a mando do ex-ministro. O Globo escreve que Geddel guardaria caixas e malas de dinheiro no closet da mãe.

Delator: Paes não pediu propina. Caixa 2, sim.

Marqueteiro de Eduardo Paes, Renato Pereira disse em depoimento que o ex-prefeito nunca negociou propina por meio de suas empresas, mas relatou uso de caixa 2, escreve O Globo.

Núcleo da desgraça

O Rio, na opinião de Fernando Gabeira (O Globo), é o núcleo da desgraça nacional.
Operação Lava Jato mudou a condução dos processos no país

A Operação Lava Jato não criou um novo direito penal, mas uma forma inédita de conduzir processos, dizem pesquisadores. A Folha de S. Paulo publica nesta semana série sobre os efeitos da operação. Em média, uma ação no país dura mais de quatro anos. Processos de Sergio Moro levam nove meses. Recursos como prisão preventiva alongada são criticados por especialistas.

Deputados viajam mais, mas prestação de contas é falha

Sem padrão, relatórios são genéricos ou nem chegam a ser apresentados pelos parlamentares. Deputados federais fizeram, nos últimos três anos, 610 viagens internacionais em missão oficial, 41% mais do que no mesmo período da legislatura anterior, entre 2011 e 2013. Ao mesmo tempo, a prestação de contas das missões, que possibilita a fiscalização dos gastos e tem de ser feita em até 15 dias após o fim da viagem, é genérica – ou nem chega a ser apresentada. Levantamento feito pelo O Estado de S. Paulo com base nos dados publicados pela Câmara encontrou 167 relatórios, em sua maioria de viagens nacionais, pendentes só em 2017. Como não há um padrão para a prestação de contas, os relatórios não trazem detalhes como a programação cumprida pelos deputados ou os resultados obtidos com as viagens. Para analistas, as despesas deveriam ser detalhadas “item por item” e as viagens, autorizadas somente quando houvesse finalidade clara. Procurada, a assessoria da presidência da Câmara não explicou por que há atrasos na entrega nem se os relatórios pendentes são cobrados.

Sites de compras oferecem descontos que não existem

Próximo à Black Friday, Folha analisa 6.875 itens em 9 lojas; preço tido como base oscila até 97%. Parte dos descontos encontrados nos sites de grandes lojas não existe ou parece maior do que é, mostra levantamento da Folha de S. Paulo. A prática pode ser identificada antes da Black Friday, que ocorrerá na sexta-feira (24). A data é conhecida por concentrar ofertas e também notificações de propaganda enganosa. A análise monitorou 6.875 itens, por 15 dias, em nove das maiores lojas de varejo do país que vendem eletroeletrônicos. Há diferentes estratégias que podem confundir o consumidor. Algumas empresas aumentam o valor apresentado como base (o “de”, quando o item está em promoção). Assim, o desconto fica artificialmente maior. Um celular encareceu 22% de um dia para o outro, mas ao mesmo tempo apareceu com desconto maior, pois o valor tido como original cresceu 97%. As empresas dizem que a definição de valores é complexa. Em alguns casos, o produto pode ser ofertado por diferentes lojistas em um só site, conceito chamado marketplace.

Inflação menor libera R$ 7,8 bilhões para consumo

Alimentos mais baratos garantem folga no orçamento e ajudam PIB. Famílias de baixa renda têm sobra de R$ 145 para compras. A inflação sob controle, com queda de 5,1% nos preços dos alimentos nos últimos 12 meses, proporcionou alívio de R$ 7,8 bilhões no orçamento das famílias de classe C este ano, mostra estudo da consultoria Tendências. Isso representa, em média, sobra de R$ 145 para famílias que ganham até R$ 4.685, o que está impulsionando o consumo e a recuperação do PIB, informa Cássia Almeida (O Globo). O efeito já é sentido nas compras de produtos que haviam sido preteridos na recessão, como as de eletroeletrônicos. 

A inflação, o pobre e os ajustes
A inflação deu uma trégua. Com isso, escreve O Estado de S. Paulo, as famílias de baixa renda têm os gastos de consumo menos pressionados e desafogo no orçamento.

Sem acordos de peso, Brasil perde espaço em exportações

Sem acordos internacionais de peso e com uma política que privilegia o desenvolvimento da indústria voltada para o mercado interno, o Brasil viu sua fatia no comércio internacional cair de 1,4% para 1,1% entre 2011 e o ano passado. Além disso, mais de 300 empresas de médio a grande porte deixaram de atuar no comércio com o exterior desde o agravamento da crise, escreve O Estado de S. Paulo. O governo reconhece que o País desperdiça oportunidades.

Endividada, Esser tem 8 de 9 obras paradas em SP

Oito de nove obras da Esser Incorporadora estão paradas em São Paulo. Há centenas de ações na Justiça contra a empresa, que deve ao menos R$ 390 milhões a bancos, segundo a Folha de S. Paulo. Compradores reclamam de atraso na entrega de imóveis, e proprietários dizem não conseguir a escritura. A empresa diz passar por ajustes que trouxeram atrasos às obras.

Chile vai hoje às urnas sob crise de imigração

Líder nas pesquisas, Sebastián Piñera defende que o Chile não tem de “aceitar qualquer um”. Seu principal adversário, Alejandro Guillier, apoia a integração, mas quer expulsar os que têm problemas com a Justiça, relata o enviado especial Pablo Pereira (O Estado de S. Paulo).