Economia

Renda per capita subiria 30% no Brasil, sem corrupção

Conclusão é de estudo do FMI. Funaro diz que propina da J&F ia para Temer. Governo defende revisão da prisão em segunda instância. Projeto busca transparência para verbas do Sistema S. Trump retira aval ao Irã. Horário de verão etc.

<b>Reprodução</b> Contra a corrupção
Reprodução Contra a corrupção
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo
Publicado em 14/10/2017

PIB per capita do Brasil subiria 30% sem corrupção, diz estudo do FMI

Segundo um estudo de pesquisadores do FMI (Fundo Monetário Internacional), o Brasil seria até 30% mais rico se suas instituições fossem menos corruptas.

O estudo, elaborado pelo economista Carlos Eduardo Gonçalves e outros, ainda não publicado, afirma que o PIB per capita do país (produto interno bruto dividido pela população) cresceria US$ 3 mil (R$ 9,6 mil) nessas circunstâncias.

Em 2016, o PIB per capita do país foi R$ 30.407, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Os pesquisadores do FMI estimaram como seria se o Brasil tivesse condições mais próximas às do Chile, Costa Rica e Uruguai, considerados os países menos corruptos da América Latina.

Em 2014, o Fórum Econômico Mundial estimou que o custo da corrupção é de 5% do PIB mundial, ou US$ 2,6 trilhões.

"Existe um problema de ovo e galinha quando se estuda corrupção e renda", afirma Carlos Eduardo Gonçalves. "Os países que são mais ricos têm mais recursos para combater a corrupção, então é difícil isolar causa e efeito."

Para ajudar a entender a relação entre os dois, o estudo incluiu a medida da "heterogeneidade étnico-religiosa" de cada país, partindo da premissa de que, quanto maior a diversidade da população, maior a corrupção, reporta Natália Portinari, na Folha de S. Paulo.

"Se um país é muito heterogêneo em várias dimensões, ele geralmente apresenta uma taxa mais alta de corrupção. Quando todo mundo é parecido entre si, é menos provável que um grupo tente roubar para favorecer os seus", afirma Gonçalves.

"Essa é uma variável bastante associada à corrupção", afirma Marcus Melo, cientista político. "Usando esse método, o estudo torna a estimativa mais precisa e menos sujeita a erros que resultam da heterogeneidade."

Outros estudos acadêmicos já concluiram que a corrupção aumenta quanto maior for a diversidade étnica, e alguns pesquisadores preferem entender essa medida como um indicador dos conflitos étnicos e raciais de um país.

A heterogeneidade da população foi usada como variável instrumental, que, na estatística, é algo que permite medir os efeitos de A (corrupção) sobre B (riqueza), quando B também influencia A.

Para ser considerada uma variável instrumental adequada, parte-se da premissa de que a heterogeneidade (C) tem relação com A (corrupção), mas não afeta diretamente B (riqueza).

Por exemplo, para calcular os efeitos do consumo de alimentos dietéticos (A) sobre o peso (B), há um problema: pessoas que consomem tais alimentos o fazem justamente porque estão acima do peso.

Para contornar, o preço de alimentos dietéticos (C) pode ser uma variável instrumental, já que a única maneira de esses preços afetarem o peso das pessoas é pelo consumo de alimentos dietéticos.

Ou seja, o efeito que C tem sobre B deve ocorrer exclusivamente via A.

Segundo os pesquisadores do FMI, a "heterogeneidade étnico-religiosa" de cada país é uma medida correlacionada com a corrupção, mas que não afeta diretamente o PIB, o que, segundo eles, faz com que seja uma variável instrumental ideal.


Amigo de Temer sabia de propina, diz delator

Em vídeo, doleiro detalha alegada entrega de dinheiro feita por Yunes. Em depoimento gravado em vídeo, obtido pela Folha, o operador financeiro do PMDB Lúcio Funaro afirmou que José Yunes “tinha certeza” de que a caixa que lhe entregara continha dinheiro. Yunes foi assessor especial do presidente Michel Temer. Segundo Funaro, Josê Yunes sabia sobre o conteúdo, tanto que não quis que ele saísse na rua com o volume. A caixa, entregue na véspera da eleição de 2014, iria para a campanha do ex-ministro Geddel Vieira Lima, segundo Funaro.

O doleiro afirmou ter “certeza” de que Eduardo Cunha “dava um percentual para Michel Temer” do esquema que ele, quando presidente da Câmara, “capitaneava”. Os vídeos mostram o depoimento que Lúcio Funaro prestou à Procuradoria-Geral da República no dia 23 de agosto, dentro do acordo de delação premiada.

O advogado de José Yunes afirmou que as delcarações de Funaro são mentirosas, segundo a Folha de S. Paulo. O Planalto nega todas as acusações e afirma que o presidente Michel Temer nunca teve relação pessoal com Funaro.

Em vídeo, Funaro diz que propina da J&F ia para Temer

O doleiro Lúcio Funaro confirmou, em vídeo feito para o acordo de delação premiada, que parte da propina que recebia do empresário Joesley Batista era repassada a políticos ligados ao ex-deputado Eduardo Cunha, preso em Curitiba, entre eles o presidente Michel Temer. O Globo escreve que a citação a Temer aparece no trecho em que Funaro fala de desvios no Fundo de Investimentos do FGTS.

Governo defende revisão da prisão em segunda instância

Manifestação foi enviada após pedido do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que pretende liberar processos para julgamento de mérito na Corte. O governo Michel Temer enviou ao Supremo Tribunal Federal manifestação a favor da revisão da possibilidade de cumprimento da pena após condenação em segunda instância. A Advocacia-Geral da União defende a execução da pena somente depois de esgotados todos os recursos da defesa, o chamado trânsito em julgado. Em outubro de 2016, por seis votos a cinco, o Supremo decidiu pela possibilidade de início da prisão após o recurso em segundo grau, ao negar liminar em ações ajuizadas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo PEN.

O tema voltará a ser analisado no plenário em breve, uma vez que o relator Marco Aurélio Mello pretende liberar os processos para julgamento de mérito. Além da Presidência da República, o ministro solicitou informações ao Senado e à Câmara, informa O Estado de S. Paulo. A prisão em segunda instância é criticada por advogados e defendida por integrantes do Ministério Público e do Judiciário. Racha - O racha no STF é tamanho, segundo João Domingos, que se tornou possível cravar o placar antes da decisão.
Atalhos para o arbítrio

As vezes, a prisão preventiva é necessária, entende O Estado de S. Paulo. O que não se pode fazer é transformá-la em algo habitual, como se solucionasse o problema da impunidade.

Moro dá 48 horas para Lula entregar recibos originais.

Fux impede extradição de Battisti e contraria Planalto

A decisão vale até julgamento do habeas corpus, no próximo dia 24. Dois ministros de Temer já confirmaram intenção do governo de expulsar o italiano. Liminar concedida ontem pelo ministro Luiz Fux, do Supremo, impede que Cesare Battisti seja expulso, extraditado ou deportado do Brasil. O ministro sustenta que o tribunal terá que decidir se o ato que legitimou o direito de o ex-ativista permanecer no país, tomado pelo ex-presidente Lula, pode ser revogado pelo presidente Michel Temer, como o governo planeja. O Globo escreve que a 1ª Turma julgará o habeas corpus dia 24. Até lá, Battisti permanece solto.

Houve quebra de confiança, diz ministro sobre Battisti

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse em entrevista ao Estado que o presidente Michel Temer só tomará uma decisão sobre Cesare Battisti após o Supremo Tribunal Federal julgar o habeas corpus preventivo do italiano. Torquato, que defende a extradição, disse que a prisão de Battisti ao tentar cruzar a fronteira com a Bolívia é um “fato novo” e que houve “quebra de confiança”.
Ele rebate a tese de que não é mais possível devolver o italiano, escreve O Estado de S. Paulo. “É um ato de soberania". Liminar impede extradição já - O ministro do STF Luiz Fux concedeu ontem liminar que barra eventual extradição até o julgamento, marcado para o dia 24, do habeas corpus apresentado por Cesare Battisti.

Projeto busca transparência para verbas do Sistema S

O relator de receitas do projeto de Lei Orçamentária Anual de 2018, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), pretende incluir em seu relatório a previsão de que a verba repassada pelo governo para o Sistema S - que congrega entidades como Sesc, Senac, Senai e Sebrae - seja contabilizada no Orçamento. O Estado de S. Paulo escreve que o objetivo é dar mais transparência à aplicação do dinheiro, que é recolhido pelas empresas, num montante que varia de 0,2% a 2,5% sobre a folha de pagamentos. (Economia / Pág. B1)

Com obras de US$ 1,8 bilhão, Angola alivia a Odebrecht

Pressionada pelas revelações de crimes na Lava Jato, a Odebrecht encontrou um refúgio para novos negócios: Angola, um dos raros países em que não ê investigada por pagar propinas.

A Folha de S. Paulo escreve que a empreiteira obteve US$ 1,8 bilhão em obras no país africano, segundo informou a analistas, mas não comenta o assunto.
Varejo 'sai do seu quadrado’

Redes varejistas como Magazine Luiza e Habib's decidiram utilizar a expertise em logística e distribuição para vender novos produtos, que em nada lembram suas origens. Estratégia comum no exterior, segundo O Globo, o multinegócio visa a ampliar o leque de clientes.

Credores rejeitam novo plano da Oi

Os principais credores externos da Oi, segundo O Globo, rejeitaram o plano de recuperação apresentado quarta-feira, alegando que os termos só protegem os atuais acionistas. Solução para a Oi não pode envolver recurso público, afirma Míriam Leitão.

Grupos jovens anti-Maduro evitam ação contra eleição

Grupos de jovens que participaram de confrontos contra a ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela estão em fase de reorganização, relata Sylvia Colombo (Folha de S. Paulo). Eles não pretendem atuar no pleito regional de domingo (15). Segundo seus integrantes, o momento ê de acompanhar o cenário político, e não de ação.

Trump retira aval ao Irã e preocupa a Europa

Os EUA abandonarão o acordo sobre o programa nuclear iraniano, caso não consigam mudanças que tornem permanentes suas restrições e impeçam o país de desenvolver mísseis balísticos intercontinentais, discursou ontem o presidente Donald Trump. Uma ruptura ainda depende do Congresso. Líderes europeus se disseram preocupados com o anúncio, informa O Estado de S. Paulo. Para o presidente do Irã, Hassan Rohani, o pacto é “inegociável”.

Trump busca saída honrosa em acordo com Irã

O presidente Donald Trump poderia ter alegado que o Irã havia cometido uma violação significativa do acordo nuclear e imposto sanções. Alertado por assessores dos riscos de ser responsável pelo fim do acordo, Trump jogou a batata quente para o Congresso, que decidirá se aplica as penalidades, escreve Patrícia Campos Mello (Folha de S. Paulo).
Trump rejeita acordo com Irã
O presidente Trump anunciou que não vai certificar o acordo nuclear com o Irã, e deu 60 dias ao Congresso para "consertá-lo”. O Globo reporta que aliados europeus dos EUA, Rússia, China e Irã reafirmaram apoio ao acordo.

Horário de verão

À meia-noite, os relógios devem ser adiantados em uma hora.