Economia

Dúvidas freiam otimismo de recuperação da economia

PIB cresce mais que o previsto, mas investimento preocupa. Analistas divergem se recuperação é sustentável. MPF quer anular delação de Delcídio e absolver Lula. Delação de Funaro é inconsistente, afirma Planalto. Mantega propõe acordo.

<b>Reprodução</b> Dúvidas sobre o futuro da economia brasileira
Reprodução Dúvidas sobre o futuro da economia brasileira
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo
Publicado em 02/09/2017

Alta de 0,2% no segundo trimestre surpreende analistas; já há apostas de crescimento superior a 1% no ano.

O Produto Interno Bruto do País cresceu 0,2% no segundo trimestre, acima das expectativas de boa parte do mercado. Foi a segunda alta seguida, após o crescimento de 1% registrado de janeiro a março, o que sinaliza que a recessão está ficando para trás. Já há apostas de crescimento até superior a 1% no ano. O aumento de 1,4% no consumo das famílias, principal vetor do crescimento da economia no trimestre, teve influência direta da desaceleração da inflação, da queda dos juros e da liberação das contas inativas do FGTS. Os serviços cresceram 0,6%. A queda nos investimentos, porém, preocupa, segundo O Estado de S. Paulo. A recuperação continua. O Brasil continua em recuperação, lenta, mas persistente, com consumo em alta, comércio exterior saudável, agropecuária firme e a indústria ganhando vigor, opina o jornal.

Alta do consumo faz o PIB crescer e desperta otimismo
Elevação de 0,2% no segundo trimestre anima Bolsa; investimento deprimido ainda preocupa. O consumo voltou a crescer no segundo trimestre, após mais de dois anos de retração, o que levou o PIB brasileiro a uma alta de 0,2% no período de abril a junho. O segundo resultado positivo consecutivo na economia reforça os sinais de que ela começa a se recuperar da recessão, estimulada pelos gastos das famílias. Contribuíram para isso a queda da inflação e dos juros e a interrupção de demissões —apesar do desemprego elevado. Esses fatores levaram o consumo a subir 1,4% no segundo trimestre, em relação aos primeiros três meses do ano. Foi o primeiro sinal positivo desde o fim de 2014. Economistas elevaram a expectativa de alta do PIB em 2017. Projeções perto de zero foram revistas para patamares mais próximos de 1%. O beneficio temporário da liberação de R$ 44 bilhões de contas do FGTS, porém, gera dúvidas sobre a manutenção da expansão. Também preocupa o resultado negativo dos investimentos, em contração desde 2013. A taxa está no mais baixo patamar desde 1996, início da atual série do IBGE. Além disso, investimentos em obras seguem deprimidos, com as construtoras paralisadas pela Lava Jato e pelo corte de gastos públicos. A Bolsa fechou a sexta (Io) no maior nível em quase sete anos, impulsionada também por dados da economia dos EUA. Ensaio de reação renova para 2018 força de governistas, escreve Igor Gielow (Folha de S. Paulo). Já Érica Fraga opina que Instabilidade política e falta de crédito novo limitam a retomada.

A recessão no Brasil já foi superada?

Consumo indica que não devemos voltar a ela nos próximos anos, escreve Thiago Curado (Folha de S. Paulo).Incerteza e lentidão da economia ainda retardam recuperação, opina João Ricardo C. Filho.Economia sai da recessão
Mas analistas divergem se recuperação é sustentável.

PIB cresce 0,2%, puxado pelo consumo das famílias. Indústria e investimentos recuam. Incertezas no cenário político dificultam retomada mais consistente. Pelo segundo trimestre seguido, a economia cresceu entre abril e junho, marcando assim o fim da recessão, que começou em 2014. A alta em relação ao primeiro trimestre, de 0,2%, foi puxada pelo consumo das famílias, graças à liberação das contas inativas do FGTS, à queda da inflação e ao recuo no desemprego. Frente ao segundo trimestre de 2016, o PIB avançou 0,3%. O resultado surpreendeu, e analistas já preveem alta de até 0,7% este ano. Mas os investimentos, importantes para garantir crescimento sustentável, voltaram a cair e já recuaram 29,7% desde o terceiro trimestre de 2013. Para analistas, em O Globo, incertezas políticas dificultam a retomada dos investimentos. ‘Acabou a recessão. Solte bombinha, não foguete’, opina o economista Affonso Celso Pastore.

MPF quer anular delação de Delcídio e absolver Lula
O Ministério Público Federal em Brasília pediu ontem a absolvição do ex-presidente Lula e do banqueiro André Esteves na ação em que são acusados de tentar obstruir a Lava Jato. O procurador Ivan Cláudio Marx requereu à Justiça Federal, segundo O Estado de S. Paulo, que o senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS) perca os benefícios de seu acordo de delação premiada por “mentir” sobre fatos que levaram à abertura da ação contra os dois e mais cinco.

Delação de Funaro é inconsistente, afirma Planalto
O Planalto antecipou a defesa de Temer diante da delação de Lúcio Funaro, que será usada na segunda denúncia contra o presidente. Disse que o acordo, sob sigilo, tem “inconsistências e incoerências” e que o procurador-geral tem vontade “de perseguir” Temer. Segundo a Folha de S. Paulo, o presidente antecipará sua volta da China devido à expectativa da nova denúncia.

Doleiro delata 20 aliados de Cunha
A delação do doleiro Lúcio Funaro deverá atingir pelo menos 20 políticos ligados ao ex-deputado Eduardo Cunha, entre eles os ex-ministros Henrique Alves e Geddel, informa Jailton Carvalho (O Globo). Funaro indicou contas onde foram depositadas propinas.

Para evitar prisão, Mantega propõe acordo
O ex-ministro Guido Mantega propôs um acordo ao Ministério Público Federal no Distrito Federal para colaborar com investigações sobre o BNDES. Em troca, escreve O Estado de S. Paulo, ele não será alvo de um pedido de prisão preventiva.

Doria diz que ‘povo’ escolherá candidato à Presidência
Em resposta a Geraldo Alckmin, o prefeito João Doria disse que o governador “tem todo o direito de anunciar que disputará a Presidência da República, mas os tempos caminham”, escreve O Estado de S. Paulo. Sobre a definição de quem será o candidato do PSDB, Doria afirmou que “a melhor decisão vem do povo”.

Reforma da Previdência

Transição gradual - Proposta é que tempo mínimo de contribuição seja alterado ao longo de 20 anos. Cenário sem reforma - Previdência pode consumir 80% do Orçamento.

No transporte coletivo - Estupro ou contravenção?
Quase a metade dos juízes de São Paulo trata assédio sexual em transporte coletivo como crime de estupro, escreve O Globo. A outra parte o considera contravenção penal.

Promotores e juízes querem mudar lei que pune estupro
Após caso na Paulista, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público de SP defendem mudanças na legislação do crime de estupro. O Estado de S. Paulo escreve que o TJ fala em punição mais severa para a importunação ofensiva ao pudor; para o MP, ideal seria a criação de um crime intermediário.

Uerj se supera, apesar da crise
O curso de Medicina da Uerj obteve, apesar da crise, uma das maiores notas do Enade, exame do MEC em que 27% dos cursos tiveram resultado insatisfatório, escreve O Globo.

Laboratórios fecham postos em consultórios
Pressionados pelos planos de saúde, laboratórios de diagnóstico estão fechando seus postos em clínicas particulares, escreve a Folha de S. Paulo. A intenção é acabar com a “venda casada”, considerada antiética pois pode levar a exames excessivos ou desnecessários, o que eleva os custos.

Farc se tornam partido político na Colômbia
As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) se tomaram um partido político, mantendo as letras da sigla, escreve a Folha de S. Paulo. A Força Alternativa Revolucionária do Comum terá direito a dez cadeiras no Congresso a partir das eleições de 2018.

Sem militares, gangue controla favela no Haiti
No primeiro dia com a polícia local no comando da segurança do Haiti, reportagem de O Estado de S. Paulo foi intimidada por homens armados ao voltar sem a companhia dos militares brasileiros a favela pacificada. O fim da missão no Haiti - Passados 13 anos, pouca coisa mudou no cenário social, político e econômico do Haiti.