Economia

É cedo para falar em retomada da economia brasileira

Vaga informal leva desemprego a 1ª queda desde 2014. Viracopos vai ser devolvido e terá nova licitação. Congresso não investiga parlamentar citado em delação. Novo interrogatório de Lula. Forças Armadas já atuam no Rio. Conta de luz mais cara...

<b>Reprodução</b> Emprego informal, sem carteira assinada
Reprodução Emprego informal, sem carteira assinada
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo - Agência Estado
Publicado em 29/07/2017

Desocupação atinge 13%, o equivalente a 13,5 milhões de pessoas; para economistas, é cedo para falar em retomada.
O aumento do emprego informal no país provocou queda da taxa de desemprego no segundo trimestre. Foi o primeiro recuo desde dezembro de 2014, ano de início da atual recessão. Segundo o IBGE, a taxa atingiu 13% no fim do trimestre encerrado em junho, queda de 0,7 ponto percentual sobre os três meses anteriores. O país fechou o período com 13,5 milhões de desempregados, 1,9 milhão a mais que há um ano. Já a população ocupada somou 90,2 milhões, 1,2 milhão acima do desempenho do primeiro trimestre. A maioria dos recém-contratados são profissionais sem registro ou que trabalham por conta própria. O país fechou 75 mil vagas com carteira assinada no segundo trimestre. Ao mesmo tempo, 442 mil postos sem registro foram criados e 396 mil pessoas passaram a trabalhar por conta própria. Para economistas, o resultado no trimestre não representa reversão definitiva da tendência de alta do desemprego. De acordo com eles, na Folha de S. Paulo, a retomada depende da recuperação da atividade econômica e da criação de vagas formais.

Desemprego cai, mas com aumento da informalidade
Taxa vai a 13%; 442 mil pessoas passaram a trabalhar sem carteira assinada. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) mostra que o aumento da informalidade fez a taxa de desemprego cair de 13,7%, no primeiro trimestre, para 13% entre abril e junho. É a primeira queda desde o fim de 2014. No período, 690 mil pessoas deixaram a fila do desemprego e a população ocupada voltou à casa de 90 milhões pela primeira vez em seis meses. “Sem dúvida, é um movimento positivo, mas o mercado cresceu pela informalidade”, disse Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. Na comparação com o primeiro trimestre, foram fechadas 75 mil vagas com carteira assinada. Ao mesmo tempo, 442 mil pessoas passaram a trabalhar informalmente no setor privado e outras 396 mil iniciaram atividade por conta própria. O Estado de S. Paulo escreve que a renda do trabalhador caiu 1%. A redução do desemprego – “Ainda que muitos estejam na informalidade, mais brasileiros estão encontrando uma fonte regular de rendimento. É mais estímulo para a produção e o consumo”, considera o editorial do jornal.

Correios estudam corte de benefícios
A diretoria dos Correios planeja economizar R$ 2 bilhões com a redução de benefícios concedidos aos funcionários e a reavaliação do plano de saúde, escreve O Estado de S. Paulo. O déficit previsto pela estatal em 2017 é de R$ 1,3 bilhão.

Temer já admite revisão na meta fiscal deste ano
O governo Temer já admite propor em agosto a revisão da meta fiscal para 2017 — déficit de R$ 139 bilhões. Projeções da ala política e da equipe econômica apontam que o rombo nas contas deve ultrapassar essa cifra, e a margem para ampliar a arrecadação é limitada. Até a semana passada, segundo a Folha de S. Paulo, a Fazenda dizia que a meta era inegociável.
Governo recua e reduz tributo sobre etanol em 8 centavos por litro, escreve a Folha de S. Paulo.

Conta de luz vai ficar mais cara em agosto.


Viracopos vai ser devolvido e terá nova licitação
Endividadas, as empresas que administram o aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), solicitaram a devolução da concessão à União. É o primeiro pedido desse tipo desde que vigora a medida provisória que prevê o distrato amigável de concessionárias em dificuldades, escreve a Folha de S. Paulo. A decisão permitirá a relicitação do aeroporto no novo modelo — sem a estatal Infraero.

Forças Armadas já atuam no Rio para ‘golpear crime’
Ministro da Defesa diz que ações de inteligência nortearão plano. Tropas que estão no estado e reúnem 10.240 homens fizeram ontem operações em vias expressas e em 22 pontos da Região Metropolitana. Decreto do presidente Temer dá poder de polícia a militares, escreve O Globo. As Forças Armadas estão desde ontem nas principais vias expressas e em 22 pontos da Região Metropolitana, numa ação integrada com as polícias federais e estaduais para “golpear o crime organizado”, como anunciou o ministro da Defesa, Raul Jungmann. A operação “O Rio quer segurança e paz”, que mobiliza 10.240 homens, se estenderá até o fim de 2018. Decreto do presidente Temer autorizou o início do plano, cujo carro-chefe é a “inteligência”, segundo Jungmann. Nas ruas, populares aplaudiram a chegada dos militares. A operação vai focar no combate às armas, diante da grande quantidade de fuzis com criminosos no Rio, e ao tráfico de drogas. Além das vias de acesso ao Rio, o plano inclui ações contra entrada de drogas e armas na fronteira com Bolívia e Paraguai. Na opinião de Merval Pereira, período com tropas deve ajudar a reorganizar a segurança no Rio. Zuenir Ventura afirma que o Rio precisa sair da anestesia e reagir.

Forças Armadas chegam ao Rio para reforçar a segurança
As Forças Armadas enviaram ontem 8,5 mil homens para reforçar a segurança no Rio, escreve O Estado de S. Paulo. Eles devem ficar até o fim de 2018 e se somam aos agentes da Força Nacional e da Polícia Rodoviária Federal que já estão no Estado. Apesar de o ministro Raul Jungmann (Defesa) afirmar que os militares vão atuar na “inteligência” das operações, homens armados com fuzis já patrulhavam pontos da capital ontem.

Socorro financeiro deve demorar
O presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, disse que o socorro financeiro ao Rio deve demorar até 90 dias, escreve O Globo. Na privatização da Cedae, a BNDESPar será sócia minoritária relevante, com 49% das ações.

Congresso não investiga parlamentar citado em delação
Apesar de mais de 200 parlamentares terem sido citados nas delações da Odebrecht e do Grupo J&F, nenhum processo foi aberto nos Conselhos de Ética da Câmara e do Senado. O Estado de S. Paulo escreve que os processos que chegaram a ser protocolados pela oposição foram arquivados antes de serem analisados sob o argumento de que as provas eram frágeis.

Maia descarta adiar votação
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, prevê que a denúncia contra o presidente Temer será votada dia 2 de agosto, escreve O Globo. “Não podemos deixar o paciente com a barriga aberta.”
Brasil dispensa tutela militar, diz comandante
O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirma em entrevista à Folha que a saída para a crise do país “está nas mãos dos cidadãos brasileiros” que irão às urnas em 2018. Villas-Bôas, 65, diz na Folha de S. Paulo que o Brasil de hoje “dispensa a tutela por parte das Forças Armadas” e que a Constituição deve prevalecer: “Todos devem tê-la como farol a ser seguido”.

Pragmatismo de Lula afogou a esquerda no país

Lula cultiva o pragmatismo em grau máximo, devotando solene desprezo tanto à ideologia quanto a valores e princípios. Foi assim que ele nadou — e, no percurso, afogou a esquerda brasileira. O legado do ex-presidente é uma esquerda prostrada, de olhos fixos no passado. Do ponto de vista da nossa democracia, opina Demétrio Magnoli, eis um desastre ainda maior que os outros.

Moro confirma novo interrogatório de Lula no dia 13 de setembro

O juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, confirmou para o próximo 13 de setembro novo interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desta vez na ação penal em que o petista é réu por suposto recebimento de propinas da empreiteira Odebrecht. Pela segunda vez, Moro e Lula vão ficar cara a cara, escreve o Estado de Minas, via Agência Estado.

Moro havia sugerido que o novo depoimento de Lula fosse realizado por videoconferência - o ex-presidente prestaria depoimento na Justiça Federal em São Paulo, evitando seu deslocamento a Curitiba, onde fica a 13.ª Vara Federal, de titularidade de Moro, responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância judicial.

O juiz alegou que a medida poderia evitar "gastos indesejáveis", referindo-se ao formidável aparato de segurança pública mobilizado da primeira vez em que ele e o petista se encontraram - em maio passado, Lula foi interrogado por Moro pela primeira vez nos autos da ação penal do caso triplex.

Na ocasião, milhares de manifestantes tomaram as ruas de Curitiba, em apoio a Lula.

Apesar da sugestão do juiz, Lula abriu mão da videoconferência. Por meio de seus advogados, o ex-presidente comunicou que é seu desejo depor pessoalmente a Moro.

"Diante da recusa, o interrogatório será presencial", decidiu nesta sexta-feira, 28, o juiz da Lava Jato.

Moro também resolveu que a audiência será gravada da mesma forma como já foi feito em ação penal conexa.

Neste processo, segundo a denúncia do Ministério Público Federal, Lula é acusado de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro em razão de contratos firmados entre a Petrobras e a Odebrecht.

A acusação aponta que parte das propinas pagas pela Odebrecht foi lavada mediante a aquisição, em benefício do ex-presidente, do imóvel localizado na Rua Dr. Haberbeck Brandão, 178, em São Paulo, em setembro de 2010, que seria usado para a instalação do Instituto Lula.

A força-tarefa da Lava Jato afirma que o acerto do pagamento da propina supostamente destinada ao ex-presidente foi intermediado pelo então deputado federal Antonio Palocci (ex-ministro de Lula e Dilma), com o auxílio de seu assessor parlamentar.

Aeroporto na Venezuela é retrato da crise vivida pelo país
O aeroporto de Maiquetía, na região de Caracas, reflete o isolamento da Venezuela. A crise econômica, política e social levou aéreas a desistirem de operar no local. Duas delas, Avianca e Delta, o fizeram nesta semana. Às vésperas da eleição da Assembleia Constituinte, o cenário do terminal lembra filmes de zumbis, relata a enviada Sylvia Colombo (Folha de S. Paulo). Passageiros demonstram medo e desolação. Negociação tem de impedir ‘banho de sangue’, diz Aloysio Nunes Ferreira.