Política

Previdência: "Todos sabem que é preciso reformar"

Nova versão da Previdência só afetaria 35% dos aposentados. Não vou ser candidato à Presidência, afirma Huck. Senadores ampliam em 40% gastos com jatinhos. Fragilidades na educação. Governo criará nova estatal. "Tropa dos confrontos" etc.

<b>Reprodução</b> Previdência e aposentadoria
Reprodução Previdência e aposentadoria
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo
Publicado em 27/11/2017

Se a nova versão da reforma da Previdência, que o governo tenta aprovar no Congresso, já estivesse em vigor, não teria provocado mudança para cerca de dois terços (65,4%) dos beneficiários. O cálculo foi feito pelo consultor do Senado, Pedro Nery, com dados de perfil de quem já está aposentado ou recebe outro benefício, informa O Estado de S. Paulo. Os principais afetados seriam servidores federais e homens que se aposentam por tempo de contribuição no INSS, sem precisar de idade mínima. Mudança e responsabilidade - A Previdência Social, na opinião do jornal, é insustentável sem uma rigorosa reforma que altere as regras. 

Reforma que era a mais urgente ainda não foi feita

A reforma da Previdência era mais urgente do que a trabalhista, do que o teto de gastos e do que salvar Michel Temer, com o que o governo gastou seu capital político. A proposta atual é bem mais modesta do que a inicial, e isso é bom, escreve Celso Rocha de Barros (Folha de S. Paulo). Os pontos mais controversos devem ser discutidos com a sociedade na eleição de 2018.
Todo mundo sabe que tem que reformar a Previdência. Podemos discutir o quanto, em que aspectos, mas o fato permanece: se não fizermos nada, cada vez mais dinheiro que deveria ser gasto com outra coisa será gasto com aposentadorias.

Não há nada de imoral nisso, a propósito. Se fôssemos um país mais rico e resolvêssemos gastar nosso dinheiro com Previdência, maravilha. Mas ainda não temos saneamento básico, ainda não temos educação fundamental. Devemos ter como prioridade nos aposentarmos cedo?

Crise voltará sem a nova Previdência, diz governo

Estudo do Ministério do Planejamento afirma que o país enfrentará nova recessão em 2019 caso a reforma da Previdência não seja aprovada até o ano que vem. Segundo o governo, na Folha de S. Paulo, nesse caso a percepção de investidores sobre risco voltará a subir, o que provocará alta de juros e da inflação, além de queda na renda. O pagamento de aposentadorias e pensões é a maior conta da União.

Não vou ser candidato à Presidência, afirma Huck

Em artigo na Folha, apresentador de TV diz que ainda trabalhará pelo país. Cortejado por políticos para as eleições de 2018, o apresentador de TV Luciano Huck afirma que não será candidato à Presidência. “Vou atuar cada vez mais, sempre de acordo com minhas crenças, em especial com a fê enorme que tenho neste país. Contem comigo. Mas não como candidato a presidente”, escreve, em artigo na Folha hoje. Nos últimos meses, Huck passou a manifestar a intenção de participar ativamente do debate político, gerando especulação de que poderia concorrer. Criou-se expectativa de que se filiasse ao PPS, escreve a Folha de S. Paulo. Ele não contava com o apoio da família para se candidatar e teria de abrir mão de seu contrato com a Globo. No texto, o apresentador lembra passagem de “A Odisseia”, de Homero, em que Ulisses e seus homens navegam em águas guardadas por sereias. Para escapar da sedução, ele ordena que o amarrem ao mastro. “Nos últimos meses, estive amarrado ao mastro tentando escapar da sedução.” A tripulação, diz, são seus amores incondicionais. “Meus pais, minha mulher, meus filhos, meus familiares e os amigos próximos.”

Senadores ampliam em 40% gastos com jatinhos

Apesar da cota de passagens, parlamentares utilizam verbas públicas para fretamento e combustível. Levantamento feito pelo Estado revela que os senadores aumentaram os gastos com jatinhos nos últimos três anos, informa Julia Lindner (O Estado de S. Paulo). O dinheiro público foi usado para bancar trajetos corriqueiros e cobertos pela malha aérea nacional. Em 2016, as despesas do Senado com combustível de aviação, fretamento de aeronave ou táxi aéreo chegaram a R$ 1,02 milhão, o que representa um aumento de 40% desde 2014 (R$ 729,8 mil), considerando valores atualizados. No mesmo período, o consumo de passagens em voos comerciais aumentou 31% e ultrapassou R$ 5 milhões. De janeiro a outubro deste ano, 14 senadores gastaram R$ 771,6 mil com jatos e combustível. Recordista, Ciro Nogueira (PP-PI) apresentou seis notas fiscais referentes a despesas com combustível de aviação no valor de quase R$ 10 mil durante o recesso. Em redes sociais, foram postadas fotos em que o senador aparece, na virada do ano, em Trancoso (BA) com a mulher e amigos. Os parlamentares negam o uso irregular do dinheiro público. 

Ministros concentram agenda em seus redutos

Entre 16 ministros do governo Michel Temer (PMDB) que devem disputar as eleições de 2018, ao menos seis visitaram suas bases eleitorais mais vezes do que as demais unidades da Federação neste ano. O levantamento da Folha de S. Paulo incluiu viagens de janeiro a outubro. Provável candidato ao governo do Pará, Helder Barbalho (Integração Nacional) passou 61 dias em compromissos oficiais no Estado. A pasta alega que atua em todo o território nacional e que o Norte é um dos maiores polos de desenvolvimento regional do país.

O que estará em jogo em 2018

Diante de um ambiente em que verdade e mentira serão contrapostas, segundo O Estado de S. Paulo, a maturidade dos eleitores em dissociar dados e paixões também estará sob escrutínio.

Desigualdade

Um país com celular e sem esgoto, lembra Cida Damasco (O Estado de S. Paulo). Quem vai cuidar dessa desigualdade no pós-2018?

Processos parados

Os processos no TSE que apuram se PT, PMDB e PP foram beneficiados com recursos do petrolão e podem levar à extinção dos partidos não avançam, escreve a Coluna do Estadao.

Na cela com a inimiga

O que a política separou, a cadeia uniu. Adversárias, a ex-governadora Rosinha Garotinho e a ex-primeira dama Adriana Ancelmo dividem a cela em Benfica, escreve O Globo. Vídeos obtidos pelo “Fantástico” mostram detalhes de inspeção na prisão.

Fragilidades na educação

As fragilidades do relatório do Banco Mundial, que apresenta sugestões sobre gastos públicos com educação no Brasil, segundo Antonio Gois (O Globo). Fé no privado - Relatório do Banco Mundial sobre eficiência no gasto público em educação precisa ser debatido sem paixões, mas é frágil em alguns pontos . Na semana passada, o Banco Mundial divulgou relatório com sugestões para o governo brasileiro de como melhorar a eficiência do gasto público. No capítulo de educação, a medida que mais repercutiu foi a sugestão de fim da gratuidade para todos nas universidades públicas. Mas o banco fez também análises e recomendações a respeito da eficiência do gasto na educação básica. (...) No Brasil, os dados mais recentes do Inep indicam que o setor público investia no ensino fundamental em 2014 quase R$ 6 mil por ano por aluno, o que significaria uma mensalidade de R$ 500. Investindo muito mais e atendendo alunos mais ricos (fator de maior impacto no desempenho), é natural que o setor privado tenha resultados melhores, mas, mesmo com essas condições favoráveis, seus resultados são também pífios: apenas 29% dos alunos terminam o ensino médio com aprendizado adequado em matemática. Com menos recursos e atendendo alunos mais pobres, por tudo o que sabemos a partir de evidências na avaliação educacional, o desempenho do setor privado seria ainda pior no Brasil. (...)

Desmaio

Menino do DF que desmaiou, segundo a Folha de S. Paulo, vive a 30 km da escola.

Para privatizar a Eletrobras, governo criará nova estatal

O projeto de lei que prevê a privatização da Eletrobras autoriza o governo a criar outra estatal. A nova empresa ficará como controladora de Eletronuclear e Itaipu Binacional, que não podem ser privatizadas, escreve O Globo. O texto prevê a criação de golden share na Eletrobras, que dará à União poder de veto em decisões estratégicas. A proposta deve ser enviada ao Congresso este mês. Escândalos deixaram área nuclear sem pai nem mãe, escreve George Vidor.

MP decide investigar ‘tropa dos confrontos’.

Promotores farão devassa em casos que envolvem 20 PMs. Levantamento do GLOBO revelou que o grupo está envolvido em 10% das mortes em ações policiais de 2010 a 2015. O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública, do Ministério Público estadual, fará uma devassa em todos os casos envolvendo os 20 policiais militares que tiveram participação em 356 mortes em confrontos. Levantamento do GLOBO revelou que esses PMs foram responsáveis por mais de 10% dos 3.442 autos de resistência registrados de 2010 a 2015. A promotora Andrea Amin, coordenadora do grupo, disse que um dos problemas enfrentados nas investigações desses casos é a falta de perícia, devido à alteração da cena do crime, com a remoção dos corpos. O Globo escreve que a PM também pretende investigar a atuação dos policiais e informou que poderá reabrir os inquéritos, se houver fatos novos.