Política

PF prende Geddel, o das malas de R$ 51 milhões

Dinheiro em espécie foi escondido em malas em apartamento que seria utilizado por ele; o ex-ministro cumpria mandado de prisão domiciliar em Salvador. Ex-ministro passa senha errada de celular para a PF

<b>Reprodução</b> Milhões em apartamento
Reprodução Milhões em apartamento
<b>Reprodução</b> “Ninguém aguenta mais tanto roubo”, dizia Geddel em 2015
Reprodução “Ninguém aguenta mais tanto roubo”, dizia Geddel em 2015
Por O Estado de S. Paulo - Folha de S. Paulo
Publicado em 08/09/2017

A Polícia Federal prendeu o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) por decisão da 10ª Vara de Brasília, na manhã desta sexta-feira, 8. A medida é mais uma fase da Operação Cui Bono, um desdobramento da Lava Jato conduzido pelo Ministério Público Federal no Distrito Federal. Geddel deverá ficar preso em Brasília, reporta Renato Onofre, de O Estado de S.Paulo.

A PF chegou ao prédio de Geddel, em Salvador, no bairro Jardim Apipema, por volta de 5h40, em dois carros, com um pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público Federal. O ex-ministro deixou o prédio, por volta das 7 horas da manhã.
Em atendimento à ordem judicial determinada a partir de pedido da Força Tarefa da Operação Greenfield, estão sendo cumpridos, na manhã desta sexta-feira, dois mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão. Todos os alvos ficam em Salvador, na Bahia. Trata-se de mais uma fase da Operação Cui Bono,que apura desvios de recursos em vice-presidências da Caixa Econômica Federal (CEF). Por determinação judicial, os nomes e endereços dos demais alvos das medidas não serão divulgados até a conclusão dos mandados.
A autorização para as medidas cautelares foi dada pelo juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara, em Brasília. O objetivo é recolher provas da prática de crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa . Na petição enviada à Justiça, o Ministério Público Federal endossou os pedidos apresentados pela Polícia Federal, argumentando que as medidas são necessárias para evitar "a destruição de elementos de provas imprescindíveis à elucidação dos fatos".

Relembre. A Polícia Federal deflagrou, na terça-feira, 5, a Operação Tesouro Perdido, com vistas a cumprir mandado de busca e apreensão emitido pela 10ª Vara Federal de Brasília. Após investigações decorrentes de dados coletados nas últimas fases da Operação Cui Bono, a PF chegou a um endereço em Salvador/BA, que seria, supostamente, utilizado por Geddel Vieira Lima como “bunker” para armazenagem de dinheiro em espécie. Durante as buscas foi encontrada grande quantia de dinheiro em espécie. O valor chegou a o equivalente a R$ 51 milhões, distribuídos em oito caixas e seis malas. A Polícia achou as digitais do ex-ministro no apartamento. Os valores apreendidos serão transportados a um banco onde será contabilizado e depositado em conta judicial.

Ao autorizar a operação, o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira afirmou que Geddel ‘estava fazendo uso velado do aludido apartamento, que não lhe pertence, mas a terceiros, para guardar objetos/documentos (fumus boni iuris), o que, em face das circunstâncias que envolvem os fatos investigados (vultosos valores, delitos de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e participação de agentes públicos influentes e poderosos), precisa ser apurado com urgência’.

Geddel ficou em prisão domiciliar sem tornozeleira eletrônica. O ex-ministro foi preso em 3 de julho pela Polícia Federal, na Bahia, no âmbito da Operação ‘Cui Bono’ e mandado para casa em 12 de julho.

Malas. A Polícia Federal achou impressões digitais do ex-ministro Geddel Vieira Lima no apartamento do bairro da Graça, em Salvador, onde foram encontrados incríveis R$ 51 milhões em dinheiro vivo. As impressões foram identificadas em malas e caixas onde estavam estocadas as cédulas, informou a repórter Camila Bomfim, da TV Globo.

A Polícia Federal terminou na quarta-feira, 6, a contagem dos valores apreendidos no bunker ligado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima. Foram apreendidos R$ 51 milhões – R$ 42.643.500,00 e US$ 2.688.000,00. O dinheiro será depositado em uma conta judicial.

Geddel Vieira Lima é alvo de denúncias desde os 25 anos. Denúncias de irregularidades rondam a vida pública do ex-ministro Geddel Vieira Lima desde seu primeiro emprego, aos 25 anos, quando foi acusado de desviar milhões do Baneb (Banco do Estado da Bahia) e beneficiar sua família.

Ex-ministro passa senha errada de celular para a PF
O ex-ministro Geddel Vieira Lima, que foi preso novamente pela Polícia Federal. O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) passou senhas incorretas de seu celular para a Polícia Federal e se recusou a fornecer sua digital para que os investigadores acessassem o aparelho, escreve Camila Mattoso, na Folha de S. Paulo.
O peemedebista teve o celular apreendido no dia 3 de julho, quando foi preso em Salvador em uma fase das fases da Operação Cui Bono.
Desde então, os investigadores tentaram acessar o celular do ex-ministro de Michel Temer, modelo iPhone, mas não conseguiram, escreve Camila Mattoso na Folha de S. Paulo.
A senha foi solicitada em duas ocasiões, em que Geddel, por meio de seus advogados, forneceu alguns números, que não funcionaram.
Chamado a prestar depoimento para esclarecer as suspeitas que lhe são atribuídas na Cui Bono, foi perguntado mais de uma vez pelos delegados, pessoalmente. E disse que havia passado a senha que recordava, mas que costumava acessar o aparelho colocando sua digital.
A PF, então, apresentou o iPhone apreendido para que Geddel pudesse colocar seu dedo e, enfim, permitir o acesso aos dados. Ele, porém, se recusou, frustrando a expectativa de que as informações do celular fossem acessadas.
Todos os episódios foram relatados no inquérito.
Procurada, a defesa do ex-ministro afirmou que Geddel deu à PF a senha que tinha e que não poderia fazer mais comentários porque a investigação está em sigilo.
CUI BONO
A Cui Bono apura fraudes em liberações de empréstimos na Caixa Econômica Federal, estatal que o peemedebista chegou a ocupar a cadeira em uma das vice-presidências, de Pessoa Jurídica.
Na última terça, a PF encontrou em um apartamento em Salvador um montante de R$ 51 milhões. O local, segundo investigação, era usado como "bunker" pelo peemedebista.

COLABORAÇÃO

A atitude de Geddel chamou a atenção também porque pouco antes de ser preso, sua defesa havia dito em manifestação por escrito ao STF (Supremo Tribunal Federal) que estava disponível para colaborar e que não havia nada a esconder.
O ex-ministro chegou a colocar à disposição seus sigilos bancário e fiscal, na tentativa de evitar ser alvo de operações. Ele afirmou à corte que entregaria o passaporte e que abriria mão de realizar movimentações bancárias maiores do que R$ 30 mil, se comprometendo a avisar sobre operações acima desse valor.