Política

Prisão para corruptos e corruptores ("bêbados")

Janot deve pedir prisão de Joesley (à esquerda da foto, com Lula e o irmão). Palocci: PT lamenta ‘traição’. PT torce para que a decisão sobre Lula saia até abril. Nova denúncia contra Temer será apresentada até o fim da semana que vem

<b>Reprodução</b> Lula e os irmãos Batista, da JBS-Friboi
Reprodução Lula e os irmãos Batista, da JBS-Friboi
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo
Publicado em 08/09/2017

Janot anulará benefícios e deve pedir prisão de Joesley

Em depoimento, empresário nega ter sido orientado a gravar Temer. Dono da JBS diz que buscou apenas aconselhamento com o então procurador Marcello Miller e afirma que diálogo gravado com executivo de seu grupo era uma ‘conversa de bêbado’.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu anular os benefícios da delação dos executivos da JBS e deve pedir nos próximos dias as prisões de Joesley Batista e Ricardo Saud. O ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, a quem cabe a decisão, estaria inclinado a aceitar o pedido. Em depoimento à Procuradoria-Geral da República, Joesley disse que o exprocurador Marcello Miller não o orientou a gravar Michel Temer e que seu diálogo com Saud era "conversa de bêbado", escreve O Globo.
Janot vai pedir anulação de imunidade concedida a Joesley

Em depoimento ontem, dono da J&F negou que tenha sido orientado por ex-procurador a gravar TemeO procurador-geral, Rodrigo Janot, vai pedir a revogação do perdão judicial concedido a Joesley Batista, dono do grupo J&F, e aos executivos Ricardo Saud e Francisco de Assis, flagrados em áudios divulgados na segunda- feira. O benefício impede que eles sejam penalizados pelos crimes revelados em delação premiada, firmada em abril. A decisão deve sair hoje. Se Janot optar pela revisão total do acordo, Joesley poderá ser denunciado e ficará sujeito a um possível pedido de prisão, que precisaria ser autorizado por decisão judicial. Ontem, os três executivos foram ouvidos na sede da Procuradoria-Geral, em Brasília. Em gravação, Joesley e Saud falam sobre suposta influência do ex-procurador Marcelo Miller nas tratativas de delação. Ontem, porém, o dono da J&F negou que tenha recebido orientação de Miller para gravar Michel Temer e disse que eles conversaram superficialmente sobre a colaboração, escreve O Estado de S. Paulo. Ele afirmou ainda que conheceu o ex-procurador antes de ele deixar o Ministério Público. Miller será ouvido hoje. 

Joesley se defende, mas Janot vai pedir o fim de benefícios

Ministério Público pode pedir a prisão de empresário, que depôs e negou ter sido orientado por ex-procurador. Apesar da defesa apresentada pelos delatores da JBS na quinta (7), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu pedir a revogação da imunidade concedida a eles, incluindo a do empresário Joesley Batista. Há a possibilidade de a prisão do grupo ser pedida. Janot deverá encaminhar sua posição hoje para o ministro Edson Fachin. Relator da Lava Jato no Supremo, ele tomará a decisão final sobre o caso, segundo a Folha de S. Paulo.

Em novo depoimento, Joesley, sócio majoritário da J&F, disse que não recebeu orientações do ex-procurador da República Marcello Miller para negociar um acordo de delação premiada, nem para gravar o presidente Michel Temer em encontro no Palácio do Jaburu. A Procuradoria também ouviu outros dois delatores do caso, Ricardo Saud e Francisco Assis e Silva, na tentativa de esclarecer as condições da realização do acordo que lhes deu imunidade.

Em áudio entregue pelos empresários, Joesley e Saud indicam que Miller teria atuado para ajudá-los enquanto ainda era braço direito de Janot na Procuradoria.

Palocci: PT lamenta ‘traição’

Aliados do ex-presidente Lula disseram que as acusações de Antonio Palocci incomodaram mais por se tratar do primeiro ex-integrante do alto escalão do PT a colaborar com as investigações, reporta O Globo.

Bala de prata

Eliane Cantanhêde (O Estado de S. Paulo) escreve que fala de Palocci é a bala de prata contra Lula, enquanto Joesley atirou no próprio peito. De pedra a vidraça. Só agora chega ao STF a acusação de que Lula chefia uma quadrilha. Até terça-feira passada, o procurador-geral da República não teve pressa. A sangria ocorreu quando Janot de pedra virou vidraça, escreve o jornal, em editorial.

Com Janot em desgraça, bomba veio de Curitiba

Aqueles moços implacáveis, sob a inspiração de Sérgio Moro, sentiram cheiro de carne queimada. Perceberam que Janot havia caído em desgraça. Ninguém o leva mais a sério. A bomba mesmo veio de Curitiba, na confissão, que delação ainda não é, de Palocci. Acredito em tudo o que ele diz, escreve Reinaldo Azevedo (Folha de S. Paulo).

PT torce para que a decisão sobre Lula saia até abril

Petistas querem que o julgamento em segunda instância que pode tomar Lula inelegível ocorra até abril, o que consideram um prazo condizente com o andamento do processo até aqui. Segundo a Folha de S. Paulo, o partido, que trabalha com a derrota do ex-presidente, quer ter tempo para nacionalizar o nome do eventual sucessor do petista como candidato.

Nova denúncia será apresentada até o fim da semana que vem

O procurador-geral, Rodrigo Janot, vai usar na segunda denúncia contra o presidente Michel Temer as delações do grupo J&F, do corretor Lúcio Funaro, do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. Também devem ser incluídos elementos dos acordos firmados pela Odebrecht, pelo operador Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, e pelo ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado, segundo O Estado de S. Paulo. A nova acusação, por formação de organização criminosa, só deve ser oferecida na próxima semana, a última de Janot no cargo.