Política

Lula e Odebrecht: pacto por R$ 300 milhões de propinas

Palocci (foto): Lula fez ‘pacto de sangue’ com Odebrecht por propinas. Petistas tentaram atrapalhar a Lava Jato. Maioria do STF é contra anulação de provas de delação da JBS. Imóvel com R$ 51 milhões tem digitais de Geddel. Inflação cai

<b>Reprodução</b> Antônio Palocci
Reprodução Antônio Palocci
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo
Publicado em 07/09/2017

Ex-ministro diz que ‘pacote’ incluiu sítio, terreno e R$ 300 milhões. Janot apresenta nova denúncia ao Supremo contra os ex-presidentes Lula e Dilma, desta vez por obstrução de Justiça; petistas negam todas as acusações.

Homem forte nos governos Lula e Dilma, o ex-ministro Antonio Palocci acusou os dois expresidentes petistas de manterem com a Odebrecht uma "relação movida a vantagens", a propinas pagas "em forma de benefícios pessoais, doações de campanha, caixa um, caixa dois..." Preso desde setembro de 2016 e tentando acordo de delação, Palocci disse que, em 2010, Lula fez um "pacto de sangue" com Emílio Odebrecht que incluiu "pacote de propinas", citando o sítio de Atibaia, o terreno para o Instituto Lula, palestras com cachês de R$ 200 mil cada e mais R$ 300 milhões à disposição do expresidente, segundo O Globo.
Dilma, afirmou Palocci no depoimento ao juiz Sergio Moro, sabia e compactuava com o esquema criminoso. Segundo o ex-ministro, o dinheiro saía de acordos ilícitos com o governo, incluindo "quase todos" os contratos com a Petrobras. Palocci afirmou ainda que ele e Lula tentaram criar obstáculos à Lava-Jato. Os ex-presidentes negaram todas as acusações.
Lula e Odebrecht fizeram pacto de sangue, diz Palocci

Acordo envolveria propina de R$ 300 milhões; defesa do petista diz que ex-ministro sofre pressão. O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci afirmou ontem ao juiz Sergio Moro que a relação entre a Odebrecht e os governos Lula e Dilma era “movida a propina”. Os pagamentos ocorriam “em forma de doação de campanha, benefícios pessoais, caixa 1, caixa 2”, disse. Palocci foi ouvido na ação que apura possível compra de terreno pela Odebrecht para o Instituto Lula, em SP. Segundo ele, o ex-presidente avalizou um “pacto de sangue” no qual a empreiteira pagaria R$ 300 milhões ao PT no período de transição dos governos. O acordo, que teria sido fechado entre Emílio Odebrecht e Lula, incluía a reforma do sítio em Atibaia, o terreno para o instituto e o pagamento de R$ 200 mil por palestra. Preocupava o empresário, afirmou, que a relação com Dilma fosse menos “fluida” que a com o antecessor. Por isso, Emílio teria proposto o acordo para manter vantagens em contratos. Condenado a 12 anos de prisão na Operação Lava Jato, Palocci negocia delação, escreve a Folha de S. Paulo. É a primeira vez que ele, cuja atuação foi destaque nas gestões petistas, implica diretamente o ex-presidente. A defesa de Lula, que irá depor no caso na quarta (13), disse que Palocci está pressionado e valida sem provas as acusações da Procuradoria. Afirmou ainda que a versão diverge de outros depoimentos. 

Lula e Odebrecht fizeram ‘pacto de sangue’ de R$ 300 milhões

Valor, segundo ex-ministro, seria para ex-presidente ‘fazer atividade política’.
Eleição de Dilma Rousseff, em 2010, deixou empreiteira ‘em pânico’.
Pacote de propinas incluiu terreno para Instituto Lula, sítio em Atibaia e apartamento.
Ele diz ter ficado chocado com proposta.
O ex-ministro Antonio Palocci disse ao juiz Sérgio Moro que o ex-presidente Lula fez um “pacto de sangue” com a Odebrecht no qual a empreiteira se comprometeu a pagar R$ 300 milhões em propinas ao PT. O acerto, segundo ele, foi feito no fim do governo do petista e incluiu também um terreno para o instituto do ex-presidente, o sítio de Atibaia (SP) e o aluguel de um apartamento de cobertura em São Bernardo do Campo. O ex-ministro afirmou que, com a eleição de Dilma Rousseff, em 2010, Emílio Odebrecht “entrou em pânico” porque as relações da presidente eleita com a companhia não eram boas, e procurou Lula para oferecer um “pacote de propinas”. Faziam parte do acerto, ainda, palestras pagas a R$ 200 mil cada e o prédio de um museu. O ex-ministro disse ter ficado “bastante chocado” com a proposta. Palocci foi um dos principais auxiliares e homem de confiança de Lula no primeiro mandato do ex-presidente, recorda O Estado de S. Paulo. Titular da Fazenda, foi o principal interlocutor do PT com os empresários e o setor financeiro.

Defesa de Lula culpa ‘pressão’

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, disse que Palocci negocia delação por estar “sob pressão” após ter sido condenado a 12 anos de prisão, escreve O Estado de S. Paulo.
Petistas tentaram atrapalhar a Lava Jato

No depoimento a Sérgio Moro, Antonio Palocci afirmou que ele e o ex-presidente Lula tramaram para tentar atrapalhar as investigações sobre o esquema na Petrobrás. As declarações dão pistas das informações que o ex-ministro, preso há um ano, tem a fornecer caso feche uma delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF), escreve O Estado de S. Paulo.
Janot faz nova denúncia contra ex-presidentes, por obstrução

Em nova denúncia apresentada ontem no STF, o procurador-geral, Rodrigo Janot, cita a nomeação de Lula por Dilma para ministro-chefe da Casa Civil, no ano passado, com a suposta finalidade de garantir foro privilegiado ao petista. O Estado de S. Paulo escreve que o ex-ministro Aloizio Mercadante também foi denunciado, por, de acordo com as investigações, agir para impedir acordo de delação premiada de Delcídio do Amaral.

Fux, do STF, defende ‘exílio na Papuda" para delatores

Na véspera de novo depoimento de Joesley Batista à Procuradoria, Luiz Fux, do STF, defendeu a prisão de executivos da JBS. “Devem sair do exílio nova-iorquino para o exílio da Papuda.” A Folha apurou que o procurador-geral, Rodrigo Janot, planeja revogar benefícios de delatores, escreve a Folha de S. Paulo. Ministros da corte também indicaram essa possibilidade.

Maioria do STF é contra anulação de provas de delação da JBS
A eventual revisão dos benefícios acertados na delação premiada de Joesley Batista e Ricardo Saud não deve invalidar as provas já apresentadas pelo dono e o executivo da JBS. Dos 11 ministros do STF, pelo menos seis são contra a anulação de todas as provas. Decano do STF, o ministro Celso de Mello disse que há, no mínimo, três precedentes nesse sentido na Corte.

O ministro Luiz Fux, segundo O Globo, defendeu a prisão de Joesley e Saud após a divulgação da gravação da conversa dos dois, que pode levar à anulação dos benefícios da delação. Para Fux, os delatores deveriam ir do "exílio nova-iorquino para o exílio da Papuda".
Supremo e PGR indicam que acordo da J&F será revisto

O procurador-geral, Rodrigo Janot, deve pedir ao STF que Joesley Batista e outros dois executivos do grupo J&F percam a imunidade penal prevista no acordo de delação. A revisão dos benefícios concedidos aos delatores é também defendida por pelo menos três ministros do Supremo. Eles, no entanto, acreditam que as provas obtidas no processo poderiam continuar válidas, segundo O Estado de S. Paulo. O ministro Luiz Fux defendeu ontem a prisão de Batista e do executivo Ricardo Saud.

Imóvel com R$ 51 milhões tem digitais de Geddel

A PF encontrou impressões digitais do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) no apartamento de Salvador onde foram apreendidos R$ 51 milhões, segundo O Globo. O dono do imóvel confirmou ter emprestado o apartamento a Geddel.
Imóvel foi emprestado para Geddel, diz dono

Silvio Silveira, dono do apartamento onde foram achados R$ 51 milhões, afirmou à PF que o ex-ministro pediu imóvel para guardar pertences do pai, escreve O Estado de S. Paulo.

Temer se engana ao pensar que sua situação melhora

Temer se confunde ao acreditar que o afundamento de Joesley extingue os efeitos do que tramaram. Sua situação agravou-se muito. Além de inalterada, segundo Janio de Freitas (Folha de S. Paulo), a já conhecida incriminação ganhou volumosa contribuição do seu parceiro Geddel Lima.

Inflação cai e BC reduz juros

Com a safra recorde e a queda nos preços de alimentos, a inflação ficou em 0,19% em agosto. O alívio nos preços foi um dos fatores que levaram o BC a reduzir os juros básicos para 8,25%. Segundo O Globo, analistas preveem que a taxa poderá chegar a 6,5% no fim do ano.

Inflação cai mais; BC corta juro em 1 ponto

O IPCA, índice oficial de inflação, foi de 0,19% em agosto, abaixo das estimativas do mercado. Em 12 meses, a inflação está em 2,46%. Também ontem, o Banco Central reduziu a Selic de 9,25% para 8,25% ao ano. Até ontem, as apostas majoritárias do mercado financeiro apontavam para juros de 7,25% ao final do ano, segundo O Estado de S. Paulo. Mas, com a inflação em níveis tão baixos, economistas já falam em um número inferior a 7%.

Copom volta a cortar juros e rendimento da poupança cai

O Banco Central voltou a cortar a Selic em um ponto percentual, para 8,25% ao ano. A nova redução dos juros, hoje no menor patamar desde 2013, ativou gatilho que diminui o ganho da poupança para evitar que supere o de aplicações de renda fixa. Em comunicado, o BC sinalizou que o ciclo de queda dos juros está perto do fim. A inflação acumulada nos últimos 12 meses soma 2,46%, segundo o IBGE, escreve a Folha de S. Paulo.
STF condena União a pagar bilhões a Estados
O STF decidiu que a União deve ressarcir aos Estados valores relativos ao fundo de desenvolvimento do ensino fundamental (Fundef) que deixou de pagar entre 1998 e 2006. O Estado de S. Paulo escreve que o desembolso total pode chegar a R$ 50 bilhões.

Fundef: conta de R$ 50 bilhões

Por erro no repasse do Fundef, a União pode ter de pagar R$ 50 bilhões a estados, escreve O Globo.

Uerj: Pezão propõe trabalho de alunos

Como forma de ajuste fiscal, o governador Pezão propôs que alunos da Uerj tenham de trabalhar por dois anos para o estado, após formados. O Globo informa que a ideia provocou polêmica.
Na Colômbia, papa deve tratar da crise na Venezuela

Durante voo para Bogotá, Francisco desejou que se “construa o diálogo” na Venezuela e que o país “encontre uma boa estabilidade”, informa a enviada especial à Colômbia, Fernanda Simas (O Estado de S. Paulo). O papa se encontrará com bispos venezuelanos.