Política

Lula & Cia: R$ 1,48 bilhão. E a outra caverna de Ali Babá

Janot denuncia Lula, Dilma e PT por organização criminosa. STF reage a áudio da JBS. Janot sob pressão. Polícia encontra R$ 51 milhões em imóvel que seria ligado a Geddel. Presidente do COB é investigado em ação sobre Rio-16. Rio assina acordo...

<b>Reprodução</b> Lula e Dilma
Reprodução Lula e Dilma
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo - Veja
Publicado em 06/09/2017

Ex-presidentes e ex-ministros são acusados de receber R$ 1,48 bilhões de propina.

‘Lula foi o grande idealizador’ do esquema, afirma procurador-geral; defesa do petista diz haver perseguição.

Os ex-presidentes Lula e Dilma foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República por formação de organização criminosa para desviar dinheiro da Petrobras e de outros órgãos da administração. O inquérito é chamado de "quadrilhão do PT", por envolver alguns dos principais nomes do partido, como os ex-ministros Palocci, Mantega, Paulo Bernardo e a senadora Gleisi Hoffmann, entre outros.

O procurador-geral, Rodrigo Janot, apontou Lula como chefe e "grande idealizador" da organização criminosa, e defendeu que ele seja condenado a pena maior que a dos outros. A suposta quadrilha do PT é acusada de receber R$ 1,48 bilhão de propina "de meados de 2002 a 12 de maio de 2016". Somente Lula teria recebido R$ 230 milhões.

Segundo a denúncia, o esquema causou prejuízos de R$ 29 bilhões à Petrobras. A defesa de Lula disse que é perseguição a ele. O Globo escreve que os advogados de Palocci informaram que o petista vai colaborar no processo.

Procuradoria denuncia Dilma e Lula na Lava Jato

O procurador-geral, Rodrigo Janot, denunciou políticos do PT, entre eles os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, sob acusação de integrar organização criminosa para desviar verba da Petrobras, escreve a Folha de S. Paulo. As defesas dos petistas falam em “ação política” e dizem que não há provas ou materialidade de crime.

Procurador denuncia Lula e Dilma por ‘quadrilha do PT’

Rodrigo Janot denunciou Lula e Dilma Rousseff por participar de organização criminosa para desviar dinheiro da Petrobrás enquanto estiveram na Presidência. Na acusação, Janot aponta Lula como “grande idealizador” do esquema, descreve pagamentos de vantagens indevidas de R$ 230 milhões para o ex-presidente por suposto favorecimento de empresas como Odebrecht e OAS e pede pena maior para ele.

STF reage a áudio da JBS; Temer ganha fôlego

As citações de delatores da JBS a quatro ministros do STF, sem qualquer indício de crime, provocaram forte reação no tribunal. A presidente Cármen Lúcia disse que houve agressão inédita à "dignidade institucional" do Supremo e pediu apuração imediata, segundo O Globo. Pelo menos dois ministros da Corte defenderam que a validade das provas apresentadas por Joesley Batista seja revista pelo plenário do tribunal, se comprovada omissão de informações e participação do ex-procurador Marcello Miller.

O relator da Lava-Jato no STF, Edson Fachin, aguardará o fim das investigações da PGR sobre o caso. Para o Planalto e governistas, com a gravação, a nova denúncia do procurador Janot contra o presidente Temer já chegará mais fraca ao Congresso. Ontem Fachin homologou a delação do doleiro Lúcio Funaro, operador do PMDB. ‘Decisão de Janot fortalece delação premiada’, na opinião de O Globo.

Gravação de delatores da J&F deixa Janot sob pressão

Joesley Batista e Ricardo Saud afirmam em áudio que procurador sabia de plano para delatar Michel Temer. Em áudio entregue ao Ministério Público Federal, Joesley Batista e Ricardo Saud, do Grupo J&F, afirmam que o procurador-geral Rodrigo Janot tinha ciência de seus planos de delatar o presidente Michel Temer e “falar” do STF. O diálogo entre os dois ocorreu, provavelmente, dez dias depois de Joesley ter gravado sua conversa com Temer, segundo O Estado de S. Paulo. Caso estivesse em curso uma ação na qual o MPF orienta os colaboradores a produzir provas de crimes, a conversa com o presidente só poderia ter sido gravada com autorização do STF.

Na segunda-feira, ao anunciar que abriria investigação que pode levar ao cancelamento dos benefícios dados aos delatores, Janot afirmou que a PGR não mantivera contato com os executivos da J&F. Ontem, em nota, Joesley e Saud afirmaram que o que disseram na gravação “não é verdade”. A presidente do STF, Cármen Lúcia, pediu que sejam investigadas as menções a integrantes do Supremo. Aliados de Temer deflagraram ofensiva pela anulação do acordo de delação.

Audio sugere que procurador atuou em delações da JBS

Menção enfraquece Janot; executivos se desculpam e dizem ter mentido. O diretor do grupo J&F Ricardo Saud disse em conversa com seu chefe, Joesley Batista, que o então procurador Marcello Miller ajudava a empresa a acertar acordo de delação com a Procuradoria. A declaração está em áudio entregue pela JBS ao Ministério Público Federal. Seu teor foi usado pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, para abrir apuração sobre omissão de indícios de crimes por delatores, o que pode levará anulação dos benefícios.

Miller era do grupo próximo de Janot. Atuou na força-tarefa da Lava Jato e em março se transferiu para escritório de advocacia que negociou a leniência da J&F. Ainda na Procuradoria, recebeu convite para ser diretor de compliance da JBS, informa Wálter Nunes. A menção a Miller deve ter como efeito imediato o enfraquecimento de Janot, que se vê questionado no momento em que prepara nova denúncia contra Michel Temer.

O ex-procurador diz ter “convicção de que não cometeu qualquer crime”. Em nota, Joesley e Saud dizem que mentiram, segundo a Folha de S. Paulo. “Pedimos as mais sinceras desculpas por esse ato desrespeitoso e vergonhoso.”

Baixo nível

País está no mais baixo nível na escala de nações dominadas por governos populistas, comenta Merval Pereira. Para Pedro Dias Leite, gravação abafa nova denúncia contra Temer e deve facilitar conclusão do mandato. Conversa sórdida, regada a bebida, revela o empresário que se sentia inimputável, opina Míriam Leitão. O Congresso, segundo Francisco Leali (O Globo), torce para que provas da JBS sejam anuladas pelo STF.

Crise de Estado

Mais que política, a crise é de Estado: para onde se olhar, haverá buracos, escreve Carlos Melo. Planalto quer enfraquecer tentativa de Janot de apresentar nova denúncia, comenta Vera Magalhães. Havia guerra entre Janot e Gilmar, recorda Eliane Cantanhênde. Agora há guerra entre PGR e STF. O procurador-geral deveria ter renunciado ontem ao cargo, depois de ter se comportado de maneira tão descuidada em todo o lamentável episódio envolvendo a delação de Joesley Batista, escreve o editorial de O Estado de S. Paulo.

Provas anuladas?

Advogados avaliam que provas da JBs podem ser anuladas, escreve a Folha de S. Paulo. Mônica Bergamo escreve que, ao menos 3 ministros do STF defendem que acordo seja cancelado

Polícia encontra R$ 51 milhões em imóvel que seria ligado a Geddel

A Polícia Federal encontrou R$ 51 milhões em apartamento em Salvador que seria usado por Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Temer. A apreensão ê recorde. A PF investiga a atuação de Geddel na manipulação de créditos e recursos da Caixa Econômica Federal. A defesa de Geddel não se pronunciou, segundo a Folha de S. Paulo. Anteriormente, negou que ele tenha cometido ilicitudes.

Bunker dos milhões

A Polícia Federal encontrou R$ 51,03 milhões, em cédulas de real e dólar, em apartamento que seria usado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) em Salvador. O Estado de S. Paulo recorda que aoperação, um desdobramento da Lava Jato, investiga suposta organização criminosa que atuava na Caixa Econômica Federal quando o peemedebista ocupava a vice-presidência de Pessoa Jurídica.

A caverna baiana de Ali Babá

Na maior apreensão de dinheiro vivo já feita no país, a PF encontrou mais de R$ 40 milhões em notas de R$ 100 e R$ 50 guardadas em malas e caixas num apartamento de Salvador, escreve O Globo. Segundo a PF, o imóvel pertence a Silvio Ferreira, que o teria cedido para que o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), em prisão domiciliar, guarde pertences. Sete máquinas de contar cédulas foram usadas para somar o dinheiro.

Tesouro perdido de ex-ministro lembra dinheiro flutuante

Tesouro Perdido foi o nome escolhido para a operação que apreendeu milhões atribuídos ao ex-ministro Geddel Lima. O caso lembra outro episódio recente: em novembro, notas de R$50 e R$100 começaram a boiar na baía de Guanabara, no Rio. Desta vez, segundo Bernardo Mello Franco (Folha de S. Paulo), uma ligação permitiu identificar o dono do dinheiro.

Presidente do COB é investigado em ação sobre Rio-16

O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, foi alvo de operação que apura suposta compra de votos para eleger o Rio sede da 01impíada-2016. Ele teve R$ 480 mil apreendidos em sua casa, reporta a Folha de S. Paulo. O Ministério Público vê indícios de que Nuzman, que nega irregularidades, é a ponte entre esquema de corrupção no RJ e dirigentes internacionais.

Nuzman, do COB, ajudou na compra de votos, diz MPF

O Ministério Público Federal acusou o presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Carlos Arthur Nuzman, de ter ajudado na suposta compra de votos que teria dado ao Rio a condição de sede da Olimpíada de 2016. Segundo O Estado de S. Paulo, ele nega.

Esquema de Cabral é acusado de comprar voto para Rio-2016

Compra de apoio no COI para o Rio sediar os Jogos teria sido intermediada pelo presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, segundo a PF, escreve O Globo.

Rio assina acordo, mas terá de fazer ajustes

Após nove meses de negociação, foi homologado o acordo de socorro financeiro com a União, que permitirá ao Estado do Rio fazer operações de crédito para pagar salários e contratos em atraso. O estado poderá obter R$ 63 bilhões em três anos, segundo O Globo. Parecer do Tesouro Nacional sugere, como ajuste fiscal, a privatização de instituições de ensino superior.
Tesouro critica, mas Rio obtem acordo

O Plano de Recuperação Fiscal do Rio foi fechado pelo presidente em exercício, Rodrigo Maia, apesar de inconsistências apontadas pelo Tesouro. O acordo abastece o caixa do Estado com R$ 11,1 bilhões, escreve O Estado de S. Paulo. Sem ele, o Rio acumularia R$ 63 bilhões de restos a pagar até 2020.

Deputados aprovam PEC que prevê fim de coligações

Deputados aprovaram em primeira votação, por 384 votos a 16, o texto-base da PEC que põe fim às coligações em eleições proporcionais e institui a cláusula de barreira, medida que restringe o acesso de partidos a verbas públicas e à propaganda de rádio e TV. O Estado de S. Paulo escreve que a PEC é uma das mudanças da reforma política em discussão na Câmara. A data de entrada em vigor da norma só será definida na semana que vem.

Governo vence e Senado aprova nova taxa do BNDES

O Senado aprovou a criação da Taxa de Longo Prazo (TLP) para substituir a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos empréstimos concedidos pelo BNDES. O Estado de S. Paulo informa que parlamentares também concluíram a votação da meta fiscal de R$ 159 bilhões para 2017 e 2018. Análises