Política

Joesley, o delator, cita 3 ministros do STF e Cardozo

Janot manda rever delação da JBS. Marcelo Odebrecht cita pagamentos em espécie a Lula. Maioria das ações judiciais fica sem decisão. Gasolina sobe 10,2% em 5 dias. Coreia do Norte virou ameaça global.

<b>Reprodução</b> Joesley Batista e Rodrigo Janot
Reprodução Joesley Batista e Rodrigo Janot
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo - Veja
Publicado em 05/09/2017

Os áudios que podem anular as delações da JBS
Confira trechos das conversas entre Joesley Batista e Ricardo Saud que, agora, podem levar à cassação da delação premiada da JBS.

Veja teve acesso às conversas que os delatores da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud entregaram à procuradoria-geral da República (PGR) na última quinta-feira à noite. Na primeira parte dos áudios (confira abaixo), os dois delatores, aparentemente sem notar que estão eles próprios se gravando, falam, entre outros temas, sobre como se aproximar do procurador-geral Rodrigo Janot por meio do agora ex-procurador Marcelo Miller e sobre a exigência de eles não serem presos após fecharem os acordos de delação premiada, escrevem, na Veja.com, Laryssa Borges e Hugo Marques.
Em um dos pontos mais sensíveis do áudio, possivelmente gravado no dia 17 de março, Joesley e Ricardo Saud afirmam que Fernanda, possivelmente a advogada Fernanda Tórtima, “surtou” porque, a depender dos rumos da delação e de qual autoridade citassem em depoimento, os dois poderiam “entregar” o Supremo, em referência a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os delatores também analisam que, ao decidirem delatar, têm de “ser a tampa do caixão” na política brasileira.
“Eu quero nós dois 100% alinhado com o Marcelo…nós dois temos que operar o Marcelo direitinho pra chegar no Janot…eu acho…é o que falei com a Fernanda [possivelmente Fernanda Tórtima, advogada]…nós nunca podemos ser o primeiro, nós temos que ser o último, nós temos que ser a tampa do caixão…Fernanda, nós nunca vamos ser quem vai dar o primeiro tiro, nós vamos o último…vai ser que vai bater o prego da tampa”, diz Joesley Batista em um dos trechos da gravação. “Nós fomos intensos pra fazer, temos que intensos pra terminar”, completa o empresário.

Na conversa, Saud comenta como Marcelo Miller, que foi braço direito de Janot no Ministério Público, está atuando para “tranquilizar” os delatores e relata que a tática para se aproximar e conquistar a confiança do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é a de “chamar todo mundo de bandido”.
“Cara, eu vou te contar um negócio, sério mesmo. Nós somos do serviço, né? (A gente) vai acabar virando amigo desse Ministério Público, você vai ver. Nóis vai virar amigo desse Janot. Nóis vai virar funcionário desse Janot. (risos). Nós vai falar a língua deles. Você sabe o que que é?”, questiona Joesley.
“A língua… domina o país… dominar o país”, completa Saud. Na sequência, Joesley dá a deixa: “Você quer conquistar o Marcelo? Você já achou o jeito. Cê quer conquistar o Marcelo? Você já achou o jeito. É só começar a chamar esse povo de bandido. Esses vagabundo bandido, assim”.

Em gravação, delatores citam três ministros do STF e um ex-titular da Justiça
Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e José Eduardo Cardozo são mencionados em material entregue por delatores à PGR
Os novos áudios da delação de executivos da J&F entregues à Procuradoria-Gereal da República (PGR), na semana passada, citam os nomes de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e a presidente da Corte, Carmén Lúcia. Em nenhum deles, há menção ou atribuição a algum tipo de crime, de acordo com informações apuradas pelo Estado. O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo também é citado em trechos das gravações publicados pela revista Veja nesta manhã de terça-feira, 5. Segundo eles, “se pagassem” o petista, “pegariam o Supremo”.
"Surtou por causa do Zé, e que sabe que se nós entregar o Zé, nós entrega o Supremo. Falei pro Marcelo: "Marcelo, você quer pegar o Supremo? Entrega o Zé. O Zé entrega o Supremo. Não, que isso, não aguenta meia hora", afirmou Joesley na gravação.
Em outro trecho da gravação, os empresários citam um suposto pagamento de propina ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). O diretor do grupo, Ricardo Saud, menciona um repasse de 40 milhões ao parlamentar, que, segundo ele, não chegou a ser repassado. "Falei com ele, Ciro, tenta receber da gente aqui. A Odebrecht queria dar 40 milhões lá fora, fez toda a papelada. A Odebrecht achando que ele ia roubar e não roubou, ele não aceitou e tal, peguei a mala, fui lá, pus, falei: "pega a roupa da minha irmã" e ele falou 'muito obrigado", diz Saud a Batista.
"Para você ver o quanto eu gosto dele (Ciro), cara. Falei: "Olha: não pega o dinheiro da Odebrecht. O Antônio Carlos veio aqui e me contou, que estão pagando lá no exterior, que o Valdemar Costa Neto (ex-deputado) está recebndo 100 milhões. Não faça isso. (inaudível) Vai vir o dinheiro tudo para nós aqui que a gente paga por aqui", afirma Saud em outro momento.
"Pais do céu. Que dois mundos diferentes. Essa é a maior discrepância que eu tenho assistido, né? Eles dizendo que está tudo bem, tudo tranquilo, tudo calmo. (...) A coisa que mais me impressiona nesses políticos sabe o que que é? Eu não sei se eles tão inocentes mesmo, achando que está tudo bem, tudo calmo, tudo tranquilo. Ou se eles querem convencer a gente que está tudo bem, tudo calmo, tudo tranquilo para ficarmos quietinhos, de braço cruzado, esperando o capa preta vir buscar", acrescenta Joesley.
Saud então responde: "Eles estão mais perdidos que nós. Antes ele estavam mentindo para nós e agora eles estão mentindo para eles mesmos".

Em áudio, Joesley fala de Cármen, Dilma e de gravação com Cardozo
Nos grampos entregues pela J&F na semana passada, aparece um áudio em que Joesley Batista e Ricardo Saud, executivo da empresa, falam sobre um diálogo com o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que teria sido gravado.
Eles ainda fazem piada sobre uma suposta proximidade de Cardozo, da ex-presidente Dilma Rousseff e da atual presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, escreve Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo.
Os dois conversam sobre a ideia de atrair Cardozo para um encontro, sob o pretexto de que gostariam de contratá-lo para serviços advocatícios.
No meio da conversa, eles arrancariam do ex-ministro da Justiça informações sobre magistrados do STF. Dependendo do teor delas, entregariam o conteúdo à PGR.
Os executivos da JBS entendiam que os procuradores tinham grande desejo de que as investigações alcançassem o Supremo.
No diálogo, Saud fala a Joesley que já tinha alertado um homem chamado Marcelo [supostamente o ex-procurador Marcelo Miller] de que, para comprometer o STF, o caminho seria José Eduardo Cardozo.
Saud diz ainda a Joesley que teria ouvido de Cardozo que o ex-ministro teria cinco ministros do STF no bolso. A afirmação é considerada uma bravata típica do executivo por interlocutores da própria JBS.
O encontro com Cardozo efetivamente ocorreu e a proposta de contratação também. A armadilha, porém, não teria funcionado a contento.
Cardozo teria feito afirmações genéricas sobre os magistrados e teria inclusive recusado propostas de pagamentos de honorários fora das vias regulares.

Janot manda rever delação da JBS e ameaça anular acordo
Novos áudios sugerem omissão de indícios de crime; interpretação ê precipitada, diz empresa.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou a abertura de investigação que pode levar ao cancelamento da delação premiada de três executivos da J&F, dona da JBS.
De acordo com ele, há indícios de omissão de informações sobre crimes. O problema surgiu após a entrega à Procuradoria, na semana passada, de novos áudios feitos pelos delatores.

Em conversa de cerca de quatro horas entre Joesley Batista e o ex-diretor da empresa Ricardo Saud, haveria pistas de delitos praticados por agentes da Procuradoria, envolvendo também o Supremo Tribunal Federal. “Áudios com conteúdo gravíssimo foram obtidos na quinta [31]”, disse Janot.

As gravações sugeririam conduta “em tese criminosa” do então procurador Marcelo Miller, próximo de Janot, que depois se associou a escritório contratado pela J&F. Se ficar provada qualquer ilicitude, o acordo que deu imunidade penal a Joesley poderá ser anulado. Isso não invalida as provas até então oferecidas, segundo Janot.

Temer afirmou que recebeu a decisão “com serenidade”. Seu advogado, Antonio Mariz de Oliveira, defendeu que o procurador deixe de apresentar nova denúncia contra o presidente — esperada para os próximos dias.

Para a defesa dos executivos, segundo a Folha de S. Paulo, a interpretação é precipitada e será esclarecida quando a gravação for mais bem examinada.

"Conteúdo gravíssimo"
Janot ameaça anular benefícios da delação da JBS por indício de omissão de informações sobre crimes. Procurador afirma, porém, que provas já apresentadas pelos irmãos Batista não serão invalidadas. Três meses e meio após a delação premiada da JBS, que levou à abertura de investigação sobre o presidente Temer, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou ter recebido gravações com "conteúdo gravíssimo" de indícios de omissão de informações sobre crimes que poderão anular benefícios da colaboração, escreve O Globo.

Ele afirmou, porém, que provas já obtidas não serão invalidadas. Na gravação entregue ao MPF pela JBS, Joesley Batista e o executivo Ricardo Saud "fazem referências indevidas à PGR e ao STF", segundo Janot, além de levantarem indícios de "conduta criminosa" do ex-procurador Marcello Miller, ex-integrante da Lava-Jato que teria atuado em favor da JBS quando estava na PGR. Janot abriu investigação. O STF poderá manter ou não sigilo da gravação. A defesa de Temer quer acesso ao áudio para decidir se tentará anular provas.

Janot vê ‘crimes gravíssimos’ da J&F e ameaça cancelar acordo de delação
Conversas gravadas comprometeriam ex-procurador e um membro do STF; provas já apresentadas por Joesley Batista continuam válidas.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou a abertura de investigação que pode levar à rescisão do acordo de delação premiada de Joesley Batista e mais dois delatores do grupo J&F – os executivos Ricardo Saud e Francisco de Assis Silva. A decisão foi tomada com base no áudio de conversa entre Joesley e Saud entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR) em 31 de agosto.

A conversa revelaria o que Janot chamou de indícios de "crimes gravíssimos" envolvendo Marcelo Miller, ex-procurador que foi seu auxiliar. "Além disso, há trechos no áudio que indicam a omissão dolosa de crimes praticados pelos colaboradores, terceiros e outras autoridades, envolvendo inclusive o STF", diz o pedido entregue por Janot ao Supremo. Apesar da ameaça de revisão do acordo de delação, Janot disse que as provas já apresentadas pelos executivos da J&F continuam válidas.

A expectativa é de que Janot envie à Corte, ainda nesta semana, uma segunda acusação contra o presidente Michel Temer, por organização criminosa, escreve O Estado de S. Paulo. Para auxiliares de Temer, o pronunciamento de Janot "destrói" a delação de Joesley, que atingiu o presidente, e enfraquece a provável segunda denúncia.

Correção

Janot, na opinião de Míriam Leitão (O Globo), pode corrigir erro de ter dado imunidade à JBS.

Desastre
Flechada no pé antes de embate final é desastre para Janot, opina Igor Gielow (Folha de S. Paulo).

Delação da JBS por um fio

Temer, escreve Eliane Cantanhêde (O Estado de S. Paulo), é beneficiário da reviravolta na delação da JBS e a PGR entra no alvo. Pressa em lançar flechas pode fazer Janot virar alvo - Para Vera Magalhães, a saideira que Rodrigo Janot preparava para ser épica pode ser melancólica.

Marcelo Odebrecht cita pagamentos em espécie a Lula
Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira, disse ao juiz Sergio Moro que o ex-presidente Lula foi beneficiário de pagamentos em espécie feitos pela empresa. Segundo ele, o petista sabia da existência de conta da Odebrecht com seu partido.

Marcelo foi ouvido em ação sobre a compra de terreno para o Instituto Lula, escreve a Folha de S. Paulo. A defesa diz que o delator não citou contrapartidas do ex-presidente em troca do suposto favorecimento.

Maioria das ações fica sem decisão

Levantamento do Conselho Nacional de Justiça mostra que, de cada dez processos, menos de três foram solucionados nos tribunais do país. O estoque de processos à espera de decisão chega a 79,9 milhões, escreve O Globo. O estudo do CNJ revela ainda que cada magistrado custa R$ 47,7 mil por mês.

Gasolina sobe 10,2% em 5 dias
A Petrobras autorizou aumento de 3,3%, a partir de hoje, no preço da gasolina nas refinarias, escreve O Globo. Só em setembro já foram três reajustes, totalizando 10,2%.

Perda em plano econômico pode ter acordo de R$ 16 bilhões
O ressarcimento das perdas na poupança durante os planos econômicos Bresser, Verão, Collor 1 e Collor 2, das décadas de 1980 e 1990, deve ficar entre R$ 8 bilhões e R$ 16 bilhões. Hoje, representantes de poupadores e bancos voltam a se reunir para discutir o acordo que encerrará ações que tramitam há quase três décadas na Justiça, segundo O Estado de S. Paulo. A expectativa é de que o acordo seja fechado até o fim deste mês. Se isso ocorrer, os pagamentos poderiam ser iniciados antes do Natal.
Estados cobram R$ 50 bilhões de repasses de fundo
STF julga amanhã ações de quatro Estados que pedem ressarcimentos por perdas no repasse do Fundef, fundo de desenvolvimento do ensino fundamental, atual Fundeb, pela União. O Estado de S. Paulo escreve que os valores podem chegar a R$ 50 bilhões.
Para a ONU, Coreia do Norte virou ameaça global
A Agência Internacional de Energia Atômica, ligada à ONU, declarou ontem que a Coreia do Norte passou de ameaça regional a global, após o teste nuclear de domingo, que o país afirma ter sido de uma bomba de hidrogênio. A Coreia do Sul simulou ataques militares ao Norte e ordenou o deslocamento de todo o seu escudo antibalístico, além de obter dos EUA sinal verde inicial para aumentar a capacidade de seus mísseis. O Globo escreve que, no Conselho de Segurança da ONU, China e Rússia defenderam negociações, enquanto os EUA e seus aliados pediram mais sanções a Pyongyang.

Ameaça coreana pode levarJapão a fabricar bomba
O mais recente teste nuclear da Coreia do Norte e a suspeita de que a ditadura de Kim Jong-un vai lançar um novo míssil balístico intercontinental podem fazer com que o vizinho Japão fabrique bomba atômica. Os japoneses possuem matéria-prima e tecnologia para isso — as reservas de plutônio do país armariam possivelmente mil ogivas, escreve a Folha de S. Paulo. Oficialmente, o governo nega a hipótese.