Política

Mandado de prisão contra ex-presidente da Petrobras

Aldemir Bendine (foto) é alvo da Polícia Federal. Fachin acelera Lava Jato para julgar políticos em 2017. União deve adiar reajuste de servidor. Déficit nas contas públicas é o maior em 21 anos. Juros caem e voltam a um dígito. Cortes de despesas...

<b>Reprodução</b> Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Pedtrobras
Reprodução Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Pedtrobras
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo
Publicado em 27/07/2017

PF cumpre mandado de prisão contra ex-presidente da Petrobrás
A Polícia Federal realiza na manhã desta quinta-feira a 42ª fase da Operação Lava-Jato. O principal alvo é o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine, contra quem os agentes cumprem mandado de prisão pela prática de corrupção e lavagem de dinheiro, de acordo com o G1. São ao todo três mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão, escreve O Globo.
A nova fase investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, com mandados no Distrito Federal, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo o G1, que cita a PF, Bendine e pessoas a ele relacionadas teriam solicitado vantagem indevida para que o Grupo Odebrecht não fosse prejudicado em futuras contratações da Petrobras. Em troca, a empreiteira teria os recompensado com o pagamento em espécie de ao menos R$ 3 milhões. O repasse só teria sido interrompido com a prisão de Marcelo Odebrecht. Bendine renunciou à presidência da estatal petroleira em maio de 2016. Na colaboração premiada, o executivo da Odebrecht já havia revelado o repasse de R$ 3 milhões em propina a Bendine.

Fachin acelera Lava Jato para julgar políticos em 2017

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin manteve os trabalhos em seu gabinete durante o recesso do Judiciário para tentar viabilizar julgamentos de ações penais da Lava Jato – operação da qual é relator na Corte – neste ano. Três processos estão em fase mais avançada e envolvem a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e os deputados federais Nelson Meurer (PP-PR) e Aníbal Gomes (PMDB-CE), escrevem Breno Pires e Rafael Moraes Moura, no O Estado de S. Paulo.

União deve adiar reajuste de servidor
Gastos com funcionalismo subiram 11,3% no 1º semestre. Déficit nas contas públicas é o maior em 21 anos. Ajuste pode incluir teto para remuneração e fim do abono salarial. A União deve adiar em pelo menos seis meses o reajuste de servidores previsto para janeiro de 2018. O adiamento provocaria economia de R$ 7 bilhões no ano que vem. Os gastos com o funcionalismo subiram 11,3% no primeiro semestre, muito acima do 0,5% de expansão das despesas em geral, o que agravou a situação das contas públicas, levando ao maior rombo em 21 anos. O gasto estimado do reajuste salarial é de R$ 22 bilhões, afirma O Estado de S. Paulo. Servidores já se articulam para recorrer à Justiça ou até paralisar serviços caso a proposta se confirme. Em 12 meses, o déficit chega a R$ 182 bilhões, o que pode dificultar o cumprimento da meta de 2017. Para reforçar o ajuste fiscal, segundo O Globo, o governo quer aprovar um teto para a remuneração total dos servidores dos três Poderes e estuda extinguir o abono. Segundo Míriam Leitão, PT inchou a máquina, Temer deu aumento até 2019. Reajuste para procuradores federais é mau exemplo, lembra Carlos Alberto Sardenberg. A agenda de enxugamento da folha do funcionalismo precisa ser enfrentada, escreve Zeina Latif. Editorial do Estadão afirma que o esforço por reequilibrar as contas do País atinge a todos, exceto os procuradores da República, que esperam ganhar mais 16,38% do que atualmente ganham.

Gasolina

Liminar cai, e alta de tributo sobre combustível volta a vigorar.

Juros caem e voltam a um dígito, para 9,25%
Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic em 1 ponto, para 9,25% ao ano. Foi a sétima queda consecutiva dos juros, que pela primeira vez desde 2013 têm taxa de um dígito, escreve O Globo. Novos cortes, porém, vão depender dos desdobramentos das crises fiscal e política.

Taxa de juros cai a 9,25% ao ano, a menor desde 2013
BC corta Selic em um ponto percentual pela 3a vez; poupança fica mais atrativa.

A inflação controlada e a atividade econômica fraca levaram o Banco Central a reduzir a taxa básica de juros em um ponto percentual, para 9,25% ao ano. A decisão, que coloca a Selic abaixo de 10% pela primeira vez em quatro anos, era esperada pelo mercado. Foi a terceira redução consecutiva de um ponto nos juros. Em comunicado divulgado após a decisão, o Comitê de Política Monetária indicou que o ritmo de corte deve ser mantido na próxima reunião, em setembro. O Copom reconheceu os impactos da crise política sobre a confiança do mercado e a possibilidade de aprovação das reformas do governo, mas avaliou que eles são, atê agora, limitados. “A delação [da JBS] não gerou efeito inflacionário significativo”, diz José Mareio Camargo, economista da Opus Gestão de Recursos. Com a nova queda da Selic, segundo a Folha de S. Paulo, a poupança se torna mais atrativa que a maioria dos fundos de investimento de renda fixa, segundo simulações.

Juros caem a um dígito e BC aponta para novo corte
Copom baixa Selic em 1 ponto, para 9,25%; incerteza das reformas não preocupa. Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa Selic em um ponto porcentual, de 10,25% para 9,25% ao ano. O corte foi o sétimo consecutivo e coloca os juros de referência no menor nível desde agosto de 2013, no primeiro governo Dilma Rousseff. Com a decisão, esperada pelo mercado financeiro, o BC manteve o ritmo de reduções da Selic, apesar das preocupações em torno do governo Temer. 

A instituição deixou as portas abertas para a manutenção do atual ritmo de cortes, se o cenário político e econômico permitir. Na decisão de ontem, os dirigentes do BC argumentaram que, até o momento, os efeitos de curto prazo do aumento das incertezas em relação às reformas, sobretudo a da Previdência, “não se mostram inflacionários nem desinflacionários”. Na prática, segundo O Estado de S. Paulo, a instituição indicou que a crise política ainda não alterou de forma substancial o cenário. Os juros continuam, sim, muito altos no Brasil, mas não dá para negar o efeito vertigem. Caíram de 14,25% para 9,25% ao ano em apenas nove meses. Um tombo como esse, na opinião de Celso Ming, não é pouca coisa.

Transportes, Integração e Cidades serão os mais atingidos
Os cortes de despesas que o governo deve anunciar hoje vão atingir principalmente os Ministérios da Integração, das Cidades e dos Transportes. A área econômica trabalha com a possibilidade de resgatar R$ 1 bilhão em precatórios não sacados e depositados na Caixa e, ontem, a Petrobrás anunciou que aderiu ao Refis e vai pagar
R$ 1,3 bilhão neste ano. Com isso, segundo O Estado de S. Paulo, o corte adicional no Orçamento, de R$ 5,9 bilhões, pode ficar menor.

Temer já gastou 65% das emendas
Depois de autorizar, em apenas 50 dias, R$ 3,9 bilhões para emendas parlamentares, o presidente Temer poderá gastar mais de R$ 2 bilhões até o fim do ano para agradar a deputados e senadores. Prestes a ser denunciado novamente e com reformas para votar, Temer terá menos margem para negociar. O Globo reporta que a oposição critica o uso político do Orçamento e diz que a jogada agravará a crise fiscal.
Aliados de Temer querem postergar nova Previdência
Partidos aliados de Michel Temer defendem que a votação da reforma da Previdência ocorra só em 2019, após a eleição presidencial. A Folha de S. Paulo afirma que, para os defensores da ideia, o governo conseguiria aprovar agora apenas alterações mínimas, desfigurando a proposta original.

'Estamos na trajetória de empresa saudável'

Há quase um ano no comando da Petrobrás, Pedro Parente não minimiza os problemas, mas afirma que a estatal está no caminho para ser considerada uma petroleira saudável até o fim de 2018. O Estado de S. Paulo escreve que a prioridade será tornar a dívida mais leve para a empresa – equivalente a 2,5 vezes a geração de caixa, nível próximo ao dos concorrentes.

Políticos repassam concessões de TV e rádio a parentes
Deputados e senadores que eram sócios de emissoras de rádio ou TV repassaram as cotas a familiares. As transferências foram feitas após a instauração de inquéritos. Pela Constituição, eles não podem ser concessionários de serviços públicos, escreve a Folha de S. Paulo. A Justiça tem apresentado entendimentos diferentes.

Novo ministro da Cultura põe a Lei Rouanet na mira
Terceiro ministro da Cultura em pouco mais de um ano, Sérgio Sá Leitão pretende mudar a Lei Rouanet, de incentivo ao setor. “Uma coisa que quero fazer ê desburocratizá-la”, disse em entrevista à Folha de S. Paulo. Ele afirmou não se constranger por participar de um governo impopular.

Estado entrega novo plano à União
Após o plano de corte de gastos do Rio ter sido em parte rejeitado pelo Tesouro, o estado fez um ajuste nas contas para chegar a R$ 62 bilhões em três anos, exigência da União para o socorro financeiro. O Globo escreve que a pendência era uma diferença de R$ 4 bilhões.

EUA retaliam o governo Maduro
Os Estados Unidos aplicaram sanções econômicas a 13 altos funcionários do governo da Venezuela em retaliação à Assembleia Constituinte, escreve O Globo. Por sua vez, Maduro bloqueou os bens dos 33 novos juízes do Supremo nomeados pela Assembleia Nacional.