Política

CORRUPÇÃO PERGUNTA: TEM OU NÃO CONDENAÇÃO?

40% dos inquéritos de Fachin vão apurar propina em obras. Total: R$ 195 milhões. Temer lança contraofensiva após aparecer em delações. Venda de MPs - Medidas Provisórias para a Odebrecht. Cuba suspende envio de médicos para o Brasil...

<b></b> Emílio e Marcelo Odebrecht, símbolos da corrupção empresarial no Brasil
Emílio e Marcelo Odebrecht, símbolos da corrupção empresarial no Brasil
Por Folha de S. Paulo - O Estado de S. Paulo - O Globo
Publicado em 14/04/2017

40% dos inquéritos de Fachin vão apurar propina em obras

Políticos teriam pedido à Odebrecht R$ 195 milhões em troca de contrapartida’, ‘ajuste de mercado’ ou ‘apoio’. Entre os 76 inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ministro Edson Fachin, 31 – ou 40,8% – tratam de cobrança de propinas. Pelos depoimentos dos executivos e ex-executivos da Odebrecht, esses pedidos somaram pelo menos R$ 194,8 milhões e foram feitos em troca de “contrapartidas”, “ajustes de mercado” ou “apoio”. Parte das cobranças atribuídas a políticos não envolvia valores fechados, mas participações porcentuais, que teriam variado de 0,55% a 5% do valor dos contratos conseguidos pela empreiteira. A campeã em pedidos de propina, segundo os inquéritos, é a obra da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia: foram citados seis pedidos, que somam R$ 82,5 milhões – 98% do total da Região Norte, segundo O Estado de S. Paulo.

Venda de MPs

Será apurado, segundo O Estado de S. Paulo, repasse de R$ 7 milhões a Eunício Oliveira, Rodrigo Maia e mais três parlamentares em troca de aprovação de medidas provisórias.
Temer lança contraofensiva após aparecer em delações
Em vídeo, presidente fala em ‘repulsa’ e diz não ter tratado de negócios escusos com Odebrecht. Acusado por delatores da Odebrecht de ter participado de reunião para negociar propina, Michel Temer iniciou uma contraofensiva pública para se defender. A citação direta do presidente nos depoimentos prejudicou a estratégia do Planalto, que pretendia evitar a exposição de Temer. O peemedebista gravou vídeo para contestar a afirmação de que comandou, em 2010, reunião para acertar o pagamento de US$ 40 milhões em recursos ilícitos. Ele admite que esteve no encontro, mas nega ter tratado de “negócios escusos”. “Eu não tenho medo dos fatos. O que me causa repulsa é a mentira”, diz. Avalia ainda preparar campanha publicitária ampla. Temer não é alvo de inquérito. Segundo a Procuradoria, a Constituição veda investigar o presidente durante seu mandato de atos estranhos ao exercício de suas funções. Especialistas divergem sobre o entendimento, segundo a Folha de S. Paulo. Também implicado nas delações, o ex-presidente Lula disse que não vai “rir nem chorar” diante das acusações “irreais”. Para a ex-presidente Dilma, delator “faltou com a verdade”. No Findomundistão, bom senso ganha ares de arranjo escuso, opina Reinaldo Azevedo, na Folha de S. Paulo. Em vídeos, analisa Nelson Sá (Folha de S. Paulo), Marcelo Odebrecht substitui desafio por submissão.

Cabral e Kassab lideram suposto ranking do caixa 2
O ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) e o ministro Gilberto Kassab (PSD) lideram ranking de planilha de caixa 2 entregue pela Odebrecht em delação. Segundo a Folha de S. Paulo, o documento lista 182 políticos e pagamentos que somam R$ 247 milhões. Os políticos negam ou não comentam.

Acusados de caixa 2 traçam estratégia contra processos
Parlamentares investigados apenas por caixa dois eleitoral tentarão negociar uma saída jurídica que evite condenação na Lava-Jato. Conhecido como suspensão condicional do processo, segundo O Globo, o mecanismo livrou o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira de punição pelo mensalão. Joaquim Falcão afirma, em O Globo, que estratégia da defesa passa de advogados para políticos.

Sindicalismo de resultado
Emílio Odebrecht relata até ajuda de Lula contra greve nos anos 70. Delator diz que deu R$ 1 milhão a Paulinho, da Força Sindical, em troca de assessoria a empreiteira sobre sindicalistas; ex-presidente afirma que quem pediu dinheiro em nome dele deveria ser preso. Além de relatar pagamento de despesas pessoais de Lula, mesada para um irmão e contribuições para um filho do ex-presidente, os donos da Odebrecht delataram à Lava- Jato que tiveram ajuda dele no movimento sindical. “Ele (Lula) criou as condições para que eu pudesse ter uma relação diferenciada com os sindicatos”, contou Emílio Odebrecht, ao revelar que conheceu o petista no fim da década de 70 e que o então sindicalista do ABC Paulista o ajudou a conter greve de empregados da construtora na Bahia. O empreiteiro disse que sempre apoiou Lula, inclusive financeiramente, e que contribuiu com a famosa “Carta ao Povo Brasileiro”, na vitoriosa campanha de 2002, segundo O Globo. Presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (SDSP), o Paulinho, ajudou a empreiteira, segundo um ex-executivo da Odebrecht, a enfrentar movimentos sindicais em troca de apoio financeiro da empresa. Odebrecht pagou R$ 120 milhões a Cabral e Pezão. Picciani teria recebido R$ 5,4 milhões. Alckmin pediu caixa dois, diz ex-executivo. Delator: Accioly intermediou para Aécio. Paes recebeu para campanha, diz Benedicto. Na opinião de Eliane Cantanhêde, em O Estado de S. Paulo, Eliane Cantanhêde, não sobra pedra sobre pedra, mas Lula tinha cartão pré-pago milionário fora de campanha.

Reforma é fundamental para ajuste, diz Padilha
A reforma da Previdência já está nas contas do mercado e é fundamental para o ajuste fiscal. A afirmação é do ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil, em O Estado de S. Paulo. “O trabalho para a aprovação é feito ‘homem a homem’”, disse.

Relator inclui demissão por acordo
O relatório final da reforma trabalhista inclui a demissão por acordo. A multa de 40% e o aviso prévio caem à metade e o saque do FGTS fica limitado a 80%. Então, segundo O Globo, o demitido perde o direito ao seguro-desemprego.

Cuba suspende envio de médicos para o Brasil
O governo de Cuba suspendeu o envio ao Brasil de 710 profissionais do Programa Mais Médicos. O Estado de S. Paulo escreve que a decisão é uma reação ao pedido que 88 médicos cubanos estão fazendo à Justiça para continuarem no Brasil e não voltar a Cuba.
Por apoio, Doria acelera nomeação de aliados políticos
A gestão do prefeito João Doria (PSDB) acelerou a nomeação de indicados por vereadores para cargos nas prefeituras regionais, após cobrança da base aliada. Crítico do loteamento de cargos, segundo a Folha de S. Paulo, Doria depende de maioria absoluta na Câmara para aprovar projetos como o de desestatização.

EUA disparam ‘mãe de todas as bombas’ no Afeganistão
A mais poderosa bomba não nuclear dos EUA foi lançada nesta quinta-feira (13) no Afeganistão. O alvo, informou o Pentágono, eram túneis utilizados pela milícia radical Estado Islâmico na província de Nangarhar. Trata-se da primeira vez que o artefato explosivo GBU-43/B, projetado em 2002, é utilizado em combate. A Folha de S. Paulo escreve que a operação ocorre em meio a escalonamento da retórica militar americana e de ações em campo.